Resumo da Notícia
A Toyota vive um raro capítulo de improviso industrial no Brasil, mas tenta transformá-lo em prova de resiliência. Após perder sua fábrica de motores em Porto Feliz (SP) para um vendaval, a montadora correu contra o tempo para não comprometer lançamentos, empregos e investimentos estratégicos no país.
O temporal de setembro de 2025 destruiu completamente a unidade responsável pelos motores dos modelos nacionais. Telhados foram arrancados, estruturas comprometidas e a produção paralisada de imediato, num momento especialmente sensível para a marca, às vésperas do lançamento do Yaris Cross.

Sem alternativa, a Toyota adotou um plano de contingência. Alugou um galpão industrial no próprio município — o chamado DRV Galpão — que serviria apenas para armazenar máquinas, mas acabou adaptado às pressas para operar como uma linha provisória de montagem de motores flex.
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A solução foi decisiva para viabilizar o Yaris Cross, cujo motor foi desenvolvido exclusivamente para o Brasil e não tinha estoque nem “backup” em outras plantas. Parte do maquinário chegou a ser enviada ao Japão para produção temporária, evitando atrasos maiores no cronograma.
Hoje, o SUV compacto já começa a chegar às concessionárias com motores feitos novamente em solo nacional, mesmo em caráter improvisado. A demanda surpreendeu: as quatro mil unidades da pré-venda se esgotaram rapidamente, com clientes pagando sinal antes mesmo de ver o carro.

Enquanto isso, a reconstrução da fábrica original segue em ritmo mais lento. Segundo a Toyota, praticamente nada poderá ser reaproveitado além do piso industrial, e a nova planta será mais moderna, enxuta e automatizada, com retorno pleno previsto apenas para 2028.
A reorganização também atingiu os trabalhadores. Dos cerca de 800 funcionários, parte foi transferida para Sorocaba, outra atua no galpão alugado e um grupo menor permanece em lay-off. A empresa afirma que não haverá demissões e trata o quadro como essencial para a retomada.
Apesar do episódio, a Toyota garante que seus planos no Brasil seguem intactos. O investimento de R$ 11,5 bilhões anunciado em 2024 foi mantido, incluindo a nova fábrica em Sorocaba, prevista para entrar em operação no último trimestre de 2026, sinalizando que o temporal não freou a estratégia de longo prazo da marca no país.
