A estratégia de eletrificação da General Motors no Brasil entrou em uma nova fase com o início da montagem do Chevrolet Captiva EV na Planta Automotiva do Ceará (PACE), em Horizonte. Mais do que colocar um novo modelo na linha de produção, a movimentação reforça a intenção da montadora de ampliar sua presença no mercado de veículos eletrificados e consolidar uma operação industrial capaz de acompanhar o crescimento da demanda nacional.
O projeto representa um passo importante para a GM em um cenário cada vez mais competitivo. Com o avanço de marcas chinesas como BYD, GWM, Geely e MG, a fabricante decidiu acelerar sua atuação local, reduzindo a dependência de veículos totalmente importados e criando uma estrutura produtiva que permita responder com mais agilidade às mudanças do mercado brasileiro.
O Captiva EV passa a ser o segundo modelo da Chevrolet produzido na unidade cearense, ao lado do Spark EUV. Segundo a empresa, o Brasil tornou-se o primeiro mercado fora da China a realizar a montagem desses dois veículos. Ambos utilizam o sistema SKD (Semi Knocked-Down), no qual os automóveis chegam parcialmente montados e recebem acabamento final, inspeções e ajustes locais antes de serem enviados às concessionárias.

Para viabilizar a operação, o complexo recebeu investimentos de aproximadamente R$ 400 milhões. Atualmente, a fábrica possui capacidade para produzir cerca de 20 mil veículos por ano, mas o plano de expansão é ambicioso. A estrutura foi concebida para alcançar até 80 mil unidades anuais no futuro, enquanto projeções da própria PACE indicam que a produção poderá superar a marca de 50 mil veículos por ano em uma próxima etapa de crescimento.
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A chegada do Captiva EV também impulsiona a geração de empregos. Com o início da montagem do SUV elétrico, a unidade ampliará em cerca de 50% seu quadro de funcionários. Além disso, a operação poderá receber novas linhas de produção conforme a demanda evoluir, acompanhando a estratégia gradual adotada pela montadora para ampliar sua presença no segmento de veículos eletrificados.
Durante o evento de lançamento da produção, Thomas Owsianski, presidente da GM América do Sul, confirmou que um terceiro veículo começará a ser montado na planta até o fim de 2026. Embora a fabricante mantenha sigilo sobre o modelo, os indícios apontam fortemente para o Chevrolet Captiva PHEV, versão híbrida plug-in do SUV que já é comercializada em países como Argentina e Uruguai e foi flagrada diversas vezes em testes no Brasil.
A hipótese faz sentido porque o Captiva PHEV compartilha praticamente toda sua arquitetura com o Captiva EV. Ambos derivam do Wuling Starlight S, modelo desenvolvido na China. Como utilizam a mesma plataforma, a adaptação da linha de montagem seria relativamente simples. Além disso, o híbrido plug-in atende a uma demanda crescente dos consumidores brasileiros, que ainda enxergam essa tecnologia como uma transição mais confortável entre os veículos a combustão e os elétricos puros.
No caso do Captiva EV, a configuração vendida no Brasil traz motor elétrico dianteiro de 201 cv e 31,6 kgfm de torque. Alimentado por uma bateria de lítio-ferro-fosfato (LFP) de 60 kWh, o SUV registra autonomia de 304 quilômetros pelo ciclo do Inmetro. Os dados oficiais indicam aceleração de 0 a 100 km/h em 9,9 segundos. Atualmente, o modelo é oferecido em versão única Premier, com preço sugerido de R$ 199.990.
Já o futuro Captiva PHEV aposta em uma fórmula diferente. O conjunto combina um motor 1.5 aspirado a gasolina de 106 cv com um propulsor elétrico, entregando potência combinada de 204 cv. Em mercados vizinhos, o SUV utiliza bateria de 20,5 kWh e pode percorrer cerca de 80 a 90 quilômetros apenas no modo elétrico. Com tanque abastecido e bateria carregada, a autonomia total ultrapassa a marca de 1.000 quilômetros, característica bastante valorizada pelos consumidores brasileiros.
As dimensões generosas também ajudam a posicionar o modelo entre os SUVs médios mais espaçosos da categoria. São 4,74 metros de comprimento, 1,89 metro de largura, 1,67 metro de altura e 2,80 metros de entre-eixos. Isso o torna maior que concorrentes tradicionais como Jeep Compass e Toyota Corolla Cross. O porta-malas oferece 403 litros de capacidade, enquanto o interior acomoda cinco ocupantes com foco em conforto e tecnologia.
O pacote de equipamentos é outro destaque. O Captiva EV reúne central multimídia de 15,6 polegadas com Apple CarPlay e Android Auto, painel digital de 8,8 polegadas, câmera 360 graus, teto panorâmico, porta-malas com abertura elétrica, bancos com ajuste elétrico e rodas de 18 polegadas. O conjunto de assistência ao motorista inclui controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência, assistente de permanência em faixa, alerta de colisão frontal, faróis adaptativos inteligentes e seis airbags. Caso a versão híbrida siga a mesma configuração, chegará ao mercado como uma das opções mais completas do segmento.
A movimentação da Chevrolet mostra que o Ceará começa a assumir papel estratégico dentro da operação da marca na América do Sul. Além da infraestrutura industrial, a localização próxima ao porto oferece vantagens logísticas para futuras expansões. Se a confirmação do Captiva PHEV realmente acontecer, a GM passará a disputar simultaneamente os segmentos de elétricos e híbridos plug-in com produção local, fortalecendo sua posição em um mercado que vive uma rápida transformação. Os próximos meses serão decisivos para medir a receptividade do público e definir os próximos capítulos da eletrificação da Chevrolet no Brasil.
