Resumo da Notícia
A Mercedes-Benz atravessa um dos momentos mais delicados desde a pandemia. Pressionada por tarifas comerciais, câmbio desfavorável e uma disputa feroz na China, a fabricante alemã viu seus resultados encolherem de forma expressiva em 2025. O cenário reforça o tamanho do desafio enfrentado pelas montadoras tradicionais em meio à transformação global do setor.
O lucro operacional caiu 57%, para 5,8 bilhões de euros, bem abaixo dos 13,6 bilhões registrados no ano anterior e inferior às projeções do mercado. Já o lucro líquido somou 5,3 bilhões de euros, recuo de quase 49% na comparação anual. Ainda assim, o resultado ficou ligeiramente acima das estimativas mais conservadoras.

A receita do grupo atingiu 132,2 bilhões de euros, queda de 9% em relação a 2024 e também abaixo do que analistas previam. Parte desse impacto veio de cerca de 1 bilhão de euros em custos ligados às tarifas impostas pelos Estados Unidos. Segundo o diretor financeiro Harald Wilhelm, esse valor tende a crescer em 2026, já que o efeito será contabilizado ao longo de todo o ano.
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O maior campo de batalha da marca hoje é a China, maior mercado automotivo do planeta. Em meio a uma guerra de preços e ao avanço acelerado de marcas locais como BYD e Geely, as vendas da Mercedes no país despencaram 19%, no nível mais baixo desde 2016. No mundo, o recuo foi de 10%.
Além da pressão chinesa, a companhia lida com demanda fraca na Europa e com os altos investimentos necessários para acelerar a eletrificação da linha. A combinação desses fatores levou a empresa a rever metas anteriores de margem, que já chegaram a ser estimadas entre 6% e 8%. Para este ano, a expectativa no principal negócio de automóveis gira entre 3% e 5%.
Mesmo com o ambiente adverso, o CEO Ola Källenius sustenta que os resultados ficaram dentro das projeções internas, apoiados em ganhos de eficiência e controle de custos. A empresa planeja mais de 40 lançamentos nos próximos três anos e aposta em uma disciplina financeira rigorosa para recuperar rentabilidade. A meta de médio prazo é voltar a margens entre 8% e 10%.
O mercado reagiu com cautela: as ações chegaram a cair 4,5% em Frankfurt, encerrando a manhã entre as maiores baixas do índice DAX. Para 2026, a previsão é de receita estável em torno de 132 bilhões de euros e lucro operacional “significativamente superior”, sem os encargos extraordinários de reestruturação.
Ainda assim, a própria direção reconhece: a indústria vive uma transformação rara, dessas que acontecem uma vez por século — e o terreno permanece imprevisível.
