Lucro da Mercedes-Benz despenca mais de 50% com tarifas e crise na China

Mercedes-Benz registra queda de mais de 50% no lucro operacional em 2025 devido a tarifas, câmbio e forte concorrência na China. Saiba mais.
Lucro da Mercedes-Benz despenca mais de 50% com tarifas e crise na China
Crédito da imagem: Mercedes-Benz

Resumo da Notícia

  • Lucro operacional da Mercedes-Benz caiu 57% em 2025, atingindo 5,8 bilhões de euros.
  • Receita do grupo recuou 9%, para 132,2 bilhões de euros, impactada por tarifas dos EUA.
  • Vendas na China despencaram 19%, o menor nível desde 2016, devido à guerra de preços e concorrência local.
  • Companhia lida com demanda fraca na Europa e altos investimentos em eletrificação.
  • Expectativa de margem para o principal negócio de automóveis revisada para 3% a 5%.
  • CEO Ola Källenius aposta em eficiência e controle de custos para recuperar rentabilidade.
  • Ações da empresa caíram na bolsa de Frankfurt; previsão para 2026 é de receita estável e lucro operacional superior.
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A Mercedes-Benz atravessa um dos momentos mais delicados desde a pandemia. Pressionada por tarifas comerciais, câmbio desfavorável e uma disputa feroz na China, a fabricante alemã viu seus resultados encolherem de forma expressiva em 2025. O cenário reforça o tamanho do desafio enfrentado pelas montadoras tradicionais em meio à transformação global do setor.

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O lucro operacional caiu 57%, para 5,8 bilhões de euros, bem abaixo dos 13,6 bilhões registrados no ano anterior e inferior às projeções do mercado. Já o lucro líquido somou 5,3 bilhões de euros, recuo de quase 49% na comparação anual. Ainda assim, o resultado ficou ligeiramente acima das estimativas mais conservadoras.

Lucro da Mercedes-Benz despenca mais de 50% com tarifas e crise na China
Crédito da imagem: Mercedes-Benz

A receita do grupo atingiu 132,2 bilhões de euros, queda de 9% em relação a 2024 e também abaixo do que analistas previam. Parte desse impacto veio de cerca de 1 bilhão de euros em custos ligados às tarifas impostas pelos Estados Unidos. Segundo o diretor financeiro Harald Wilhelm, esse valor tende a crescer em 2026, já que o efeito será contabilizado ao longo de todo o ano.

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O maior campo de batalha da marca hoje é a China, maior mercado automotivo do planeta. Em meio a uma guerra de preços e ao avanço acelerado de marcas locais como BYD e Geely, as vendas da Mercedes no país despencaram 19%, no nível mais baixo desde 2016. No mundo, o recuo foi de 10%.

Além da pressão chinesa, a companhia lida com demanda fraca na Europa e com os altos investimentos necessários para acelerar a eletrificação da linha. A combinação desses fatores levou a empresa a rever metas anteriores de margem, que já chegaram a ser estimadas entre 6% e 8%. Para este ano, a expectativa no principal negócio de automóveis gira entre 3% e 5%.

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Mesmo com o ambiente adverso, o CEO Ola Källenius sustenta que os resultados ficaram dentro das projeções internas, apoiados em ganhos de eficiência e controle de custos. A empresa planeja mais de 40 lançamentos nos próximos três anos e aposta em uma disciplina financeira rigorosa para recuperar rentabilidade. A meta de médio prazo é voltar a margens entre 8% e 10%.

O mercado reagiu com cautela: as ações chegaram a cair 4,5% em Frankfurt, encerrando a manhã entre as maiores baixas do índice DAX. Para 2026, a previsão é de receita estável em torno de 132 bilhões de euros e lucro operacional “significativamente superior”, sem os encargos extraordinários de reestruturação.

Ainda assim, a própria direção reconhece: a indústria vive uma transformação rara, dessas que acontecem uma vez por século — e o terreno permanece imprevisível.

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