Uma operação conjunta de órgãos federais resultou na interdição parcial das obras da futura fábrica da montadora chinesa BYD em Camaçari, Bahia, na última segunda-feira, 23. A medida foi desencadeada após o resgate de 163 operários que, segundo o Ministério Público do Trabalho na Bahia (MPT-BA), trabalhavam em condições análogas à escravidão.
A fiscalização levou ao embargo de trechos do canteiro de obras e dos alojamentos destinados aos trabalhadores. A construção da unidade, iniciada em março de 2024 e com previsão de conclusão para o final de 2025, representa um investimento de mais de R$ 5,5 bilhões, com incentivos do governo baiano. A fábrica, localizada no antigo complexo industrial da Ford, terá capacidade inicial para produzir 150 mil veículos por ano, incluindo modelos elétricos e híbridos flex.

As inspeções do MPT-BA, que tiveram início em novembro, revelaram condições de trabalho precárias para os funcionários da empreiteira Jinjiang Group, subcontratada pela BYD. Os trabalhadores estavam distribuídos em quatro alojamentos principais, onde foram constatadas situações alarmantes:
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- Camas sem colchões e ausência de armários, levando os operários a misturar pertences pessoais com alimentos.
- Apenas um banheiro disponível para cada 31 trabalhadores.
- Graves problemas de infraestrutura e higiene nos alojamentos.
O relatório do MPT-BA também apontou indícios de trabalho forçado. Trabalhadores que tentavam rescindir seus contratos após seis meses eram coagidos a deixar o Brasil sem receber salários atrasados, devido ao confisco de valores destinados à caução, passagem de ida e volta ao país de origem.
As atividades nas áreas embargadas permanecerão suspensas até que a empresa comprove a regularização das condições de trabalho e alojamento ao Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Uma audiência virtual está agendada para quinta-feira, 26, com a presença do MPT, MTE, BYD e Jinjiang, com o objetivo de definir as medidas necessárias para garantir condições dignas de trabalho.

Até o momento, a BYD não se pronunciou publicamente sobre o caso. A empresa, que se destaca no setor de veículos elétricos, enfrenta agora um sério desafio de reputação e pode sofrer impactos legais e econômicos significativos. Os trabalhadores resgatados estão sendo acomodados em hotéis ou permanecem temporariamente nos alojamentos interditados. Seus contratos serão rescindidos e as empresas envolvidas podem enfrentar sanções severas caso as irregularidades não sejam resolvidas.
