Proposta altera Código de Trânsito e prevê CNH aos 16 anos no Brasil

CNH aos 16 anos, veículos autônomos, novas regras para radares, pedágios eletrônicos e patinetes elétricos estão entre as mudanças propostas na ampla reforma do Código de Trânsito Brasileiro
Proposta altera Código de Trânsito e prevê CNH aos 16 anos no Brasil
Crédito da imagem: Reprodução
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A possibilidade de adolescentes dirigirem antes dos 18 anos voltou ao centro das discussões no Congresso Nacional e pode fazer parte de uma das maiores reformas do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) desde sua criação. A Câmara dos Deputados deve analisar um amplo pacote que reúne cerca de 270 propostas acumuladas ao longo dos últimos 16 anos, trazendo mudanças que vão desde a habilitação de jovens condutores até regras para veículos autônomos, pedágios eletrônicos, radares, bicicletas e patinetes elétricos.

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O texto em análise é resultado do Projeto de Lei 8.085/2014 e de dezenas de propostas apensadas ao longo dos anos. O relatório apresentado pelo deputado Aureo Ribeiro (Solidariedade-RJ) consolida diversas sugestões de alteração na legislação de trânsito e busca adaptar as normas brasileiras às novas tecnologias e aos desafios atuais da mobilidade urbana. Antes de qualquer mudança entrar em vigor, porém, a proposta ainda precisará passar por votação na comissão especial, no plenário da Câmara e também pelo Senado.

Entre os pontos que mais despertam atenção está a criação de uma modalidade especial de Permissão para Dirigir destinada a adolescentes entre 16 e 18 anos. Diferentemente da Carteira Nacional de Habilitação tradicional, a autorização teria caráter provisório e seria acompanhada de diversas restrições. A medida tem como objetivo permitir que os jovens adquiram experiência gradual ao volante, seguindo modelos semelhantes aos adotados em alguns países.

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Pelas regras propostas, jovens de 16 e 17 anos poderiam conduzir veículos das categorias A e B apenas em condições específicas. No caso dos automóveis, a circulação seria limitada às vias urbanas e ao período entre 5h da manhã e meia-noite. Além disso, seria obrigatória a presença de um acompanhante maior de idade, habilitado há pelo menos dois anos. Esse responsável também poderia ser fiscalizado pelas autoridades como se estivesse na condução do veículo.

Para as motocicletas, a autorização seria mais restrita. Os adolescentes poderiam pilotar apenas modelos de até 150 cilindradas. O relatório prevê ainda outras limitações de circulação, incluindo restrições relacionadas ao transporte de menores e ao uso de determinadas vias de trânsito rápido. Segundo o relator, a proposta pretende ampliar o acesso dos jovens à formação como condutores sem abrir mão da supervisão e da segurança viária.

A justificativa para a mudança encontra apoio em argumentos apresentados por parlamentares favoráveis à proposta. O deputado Roberto Duarte (Republicanos-AC), autor de um dos projetos incorporados ao relatório, afirma que jovens de 16 anos já possuem direitos e responsabilidades relevantes, como votar e participar da vida política do país. Para os defensores da medida, permitir uma habilitação gradual seria uma forma de preparar melhor os futuros motoristas e reduzir a condução irregular praticada por parte dos adolescentes.

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Por outro lado, a proposta também enfrenta resistência. Críticos argumentam que a redução da idade mínima pode aumentar a exposição dos jovens aos riscos do trânsito brasileiro e gerar conflitos com dispositivos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O debate promete ser intenso entre os parlamentares, especialmente porque a mudança envolve questões de segurança pública, responsabilidade civil e formação de condutores.

O relatório também promove alterações significativas no processo de obtenção da CNH. Uma delas é a fixação da carga horária mínima de aulas práticas diretamente no CTB. Atualmente definida pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), a exigência passaria a ser de cinco horas-aula previstas em lei. O relator argumenta que a mudança busca oferecer maior segurança jurídica e, ao mesmo tempo, reduzir custos para quem pretende se habilitar.

Outra novidade é a transformação das atuais autoescolas em Escolas de Trânsito. Além de ministrarem aulas, essas instituições credenciadas poderiam aplicar exames práticos de direção, desde que submetidas a mecanismos rigorosos de fiscalização, auditoria e controle. O texto também regulamenta a atuação dos instrutores independentes, que poderão oferecer treinamento para categorias A e B mediante cumprimento de exigências técnicas e de segurança, embora fiquem proibidos de ministrar aulas práticas para menores de 18 anos.

A reforma ainda traz medidas voltadas à redução dos custos da habilitação. Entre elas estão a criação de um teto nacional para taxas administrativas, a emissão automática e gratuita da CNH definitiva para condutores que concluírem o período probatório sem infrações impeditivas e o fortalecimento da CNH Social. O relatório prevê que recursos do Fundo Nacional de Segurança e Educação de Trânsito e parte da arrecadação com multas sejam utilizados para custear a primeira habilitação de pessoas de baixa renda.

Além da discussão sobre a CNH aos 16 anos, o pacote de mudanças moderniza diversos aspectos da legislação. O texto cria bases legais para a circulação futura de veículos autônomos e semiautônomos, regulamenta patinetes e bicicletas elétricas, estabelece regras para o pedágio eletrônico sem cancelas (free flow), proíbe radares ocultos ou sem sinalização visível e propõe a criação de um prontuário nacional para avaliações médicas e psicológicas dos motoristas. Também passa a exigir exame psicológico em todas as renovações da CNH. Se aprovado nas próximas etapas de tramitação, o projeto poderá representar uma das maiores transformações já realizadas no sistema de trânsito brasileiro.

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