Governo deve lançar renovação automática da CNH ainda esta semana

As práticas caem de 20 para 2 horas obrigatórias, permitindo treinos com instrutores autônomos ou em autoescolas
Transferência de pontos na CNH: como funciona e quando é possível
Crédito da imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Resumo da Notícia

  • O governo elimina a obrigatoriedade de autoescolas e torna o curso teórico gratuito, com estudo online ou presencial. A carga mínima deixa de existir, ampliando o acesso e reduzindo custos.
  • Motoristas sem pontos no ano anterior terão renovação simplificada ou automática da CNH. Apesar disso, o exame toxicológico permanece obrigatório, gerando dúvidas sobre sua aplicação.
  • O custo para obter a CNH pode cair até 80%, mirando milhões de motoristas que não conseguem arcar com o processo atual. As mudanças devem gerar embates com autoescolas e entidades de segurança até 2026.
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As mudanças no processo de habilitação no Brasil chegam como uma das maiores reformas recentes no trânsito, combinando simplificação, corte de custos e um esforço para atrair milhões de motoristas que ainda dirigem sem carteira. O governo aposta que flexibilizar etapas — da formação à renovação — pode ampliar o acesso e modernizar um sistema considerado caro e burocrático. O pacote reúne decisões do Contran, anúncios do Ministério dos Transportes e medidas que entrarão em vigor a partir desta semana.

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A partir do lançamento do aplicativo CNH do Brasil, previsto para esta terça-feira no Palácio do Planalto, começam a valer as novas regras de formação. Entre elas está o fim da obrigatoriedade de frequentar autoescolas, abrindo alternativas de estudo teórico online, presencial ou por entidades credenciadas. A carga mínima deixa de existir, e o curso será disponibilizado gratuitamente pelo governo. Veto de Lula é derrubado: exame toxicológico volta a ser exigido na CNH.

Governo deve lançar renovação automática da CNH ainda esta semana
Crédito da imagem: Assembleia Legislativa de Sergipe

As aulas práticas também passam por uma mudança profunda: caem de 20 horas obrigatórias para apenas 2 horas, com liberdade para o candidato treinar com instrutor autônomo credenciado ou mesmo em uma autoescola tradicional. Outra novidade é a possibilidade de usar o próprio veículo nas aulas e no exame, desde que o carro se enquadre nas normas do Código de Trânsito Brasileiro. O modelo mira reduzir custos e ampliar opções em regiões onde autoescolas são escassas.

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O Contran já havia aprovado, em 1º de dezembro, uma resolução que reformula integralmente o processo de obtenção da carteira. A permissão para realizar exames práticos com veículos automáticos segue a tendência de mercado e deve aliviar custos operacionais. Mas o governo admite uma fase de adaptação, já que instrutores e centros de formação terão de ajustar estruturas e frotas à nova realidade.

No eixo da renovação, a principal mudança é a criação do selo de “bom condutor”, que permitirá renovar a CNH de forma facilitada — e, em alguns casos, automaticamente — para quem não tiver recebido nenhum ponto no prontuário no ano anterior. Para o ministro Renan Filho, quem demonstra condução segura não precisa retornar ao Detran para repetir exames que apenas consomem tempo do cidadão. O prazo de validade do documento, porém, permanece o mesmo.

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A renovação automática, contudo, provoca debate no setor. Especialistas lembram que esse momento é decisivo para atualizar condições médicas e reforçar conhecimentos de segurança. A polêmica se acentua porque o Congresso derrubou o veto do governo e manteve a exigência de exame toxicológico inclusive para categorias A e B, o que ainda levanta dúvidas sobre como será a conferência desse requisito nos casos automatizados.

Apesar das controvérsias, o governo defende que o impacto financeiro será significativo: o custo total para tirar a CNH, hoje entre R$ 3 mil e R$ 5 mil, pode cair até 80%. A medida pretende atingir dois grupos que somam enorme contingente: os 20 milhões que dirigem sem habilitação e os 30 milhões que têm idade para se habilitar, mas nunca iniciaram o processo. Pesquisas internas indicam que o preço é o principal fator de desistência.

Com efeitos previstos para 2026, o pacote ainda deve passar por embates políticos. Autoescolas temem perder protagonismo, entidades de segurança alertam para riscos e o governo insiste que a modernização é inevitável para reduzir desigualdades no acesso ao documento. O resultado desse embate moldará o futuro do trânsito brasileiro, que tenta equilibrar simplificação, responsabilidade e segurança em um dos sistemas viários mais complexos do mundo.

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