Resumo da Notícia
O avanço chinês no setor de carros elétricos obrigou montadoras tradicionais a mudarem rapidamente seus planos, e a Hyundai decidiu responder de forma ousada. A marca sul-coreana apresentou o novo Hyundai Ioniq V, um sedã de visual futurista que mistura inspiração retrô, tecnologia avançada e soluções desenvolvidas especialmente para consumidores da China. O modelo já apareceu nos registros do Ministério da Indústria e Tecnologia da Informação chinês antes de chegar oficialmente às lojas.
Apresentado ao público durante o Salão do Automóvel de Pequim de 2026, o carro chamou atenção imediatamente pelo desenho incomum. À distância, o sedã lembra uma interpretação moderna do clássico Lamborghini Countach, com linhas baixas, traseira alongada e perfil fastback. A Hyundai apostou em uma identidade visual mais emocional para se destacar em um mercado dominado por utilitários esportivos elétricos.

Apesar da semelhança no nome com o Hyundai Ioniq 5, o novo modelo segue outro caminho. O “V” faz referência ao conceito Venus, revelado semanas antes da estreia do carro de produção. O protótipo serviu praticamente como base definitiva do sedã, mantendo quase intactas as linhas agressivas, os faróis em LED no formato de lâmina e a silhueta longa inspirada em estudos italianos dos anos 1970.
O sedã utiliza a plataforma modular elétrica E-GMP, a mesma arquitetura usada nos elétricos globais da Hyundai e da Kia, mas adaptada em parceria com a BAIC Motor para atender ao ritmo acelerado do mercado chinês. O modelo terá versões totalmente elétricas e também variantes de autonomia estendida, conhecidas como EREV, que utilizam motor auxiliar para ampliar a distância percorrida.
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Nas dimensões, o Ioniq V entra no segmento de sedãs médios-grandes. São 4,90 metros de comprimento, 1,89 metro de largura e entre-eixos de 2,90 metros. O espaço interno promete ser um dos destaques justamente pela arquitetura elétrica, que elimina várias limitações dos carros convencionais. A autonomia declarada supera os 600 quilômetros no ciclo chinês CLTC, considerado mais otimista que os padrões ocidentais.
Outro ponto importante está na tecnologia embarcada. O sistema elétrico utiliza arquitetura de 800 volts, permitindo carregamento ultrarrápido e maior eficiência energética. A Hyundai também confirmou um conjunto eletrônico altamente sofisticado, com baterias da CATL, chips Snapdragon 8295 da Qualcomm e sistemas inteligentes desenvolvidos pela Momenta.
O carro foi concebido praticamente como um computador sobre rodas. A cabine traz uma enorme tela 4K ultrafina de 27 polegadas que concentra quase todas as funções do veículo. Há ainda um sistema de projeção de informações no para-brisa chamado Cyber Eye, iluminação ambiente configurável e uma assistente virtual integrada aos serviços da Baidu, reduzindo drasticamente a quantidade de botões físicos.
Por dentro, o ambiente aposta em um minimalismo típico dos elétricos chineses mais modernos. O painel tradicional praticamente desaparece, substituído por informações exibidas próximas à base do para-brisa. O volante com topo e base retos tenta equilibrar visual futurista e praticidade, enquanto os comandos digitais se unem a sistemas de inteligência artificial capazes de controlar navegação, climatização, multimídia e diversos recursos do carro.
A Hyundai também confirmou que o Ioniq V terá funções avançadas de condução semiautônoma nível 2+, utilizando tecnologia da Momenta. Além disso, o sedã integra soluções da Volcano Engine, divisão ligada à ByteDance, responsável por infraestrutura de nuvem, processamento de dados e aplicações de inteligência artificial voltadas para o ecossistema digital chinês.
O projeto faz parte da estratégia “Na China, para a China e para o mundo”, criada para reposicionar a Hyundai no maior mercado de veículos elétricos do planeta. A ideia é transformar a linha Ioniq em uma submarca fortemente localizada, desenvolvida especificamente para consumidores chineses, mas com exportações previstas para regiões como Sudeste Asiático, Oriente Médio e América Latina.
A necessidade dessa reação ficou evidente nos números recentes da montadora. Depois de já ter figurado entre as líderes do mercado chinês, a Hyundai hoje responde por menos de 1% das vendas locais, pressionada principalmente pelo crescimento de fabricantes nacionais como BYD e Geely. Em março de 2026, a empresa vendeu apenas 8.909 veículos na China, registrando nova queda anual.
Durante o evento em Pequim, o presidente global da Hyundai, José Muñoz, afirmou que a marca lançará 20 novos modelos no país ao longo dos próximos cinco anos. O plano inclui elétricos, híbridos, modelos a combustão e veículos de autonomia estendida. A meta é alcançar 500 mil unidades anuais até 2030, um salto enorme diante das cerca de 125 mil unidades comercializadas em 2025.
Além do Ioniq V, a Hyundai também apresentou o conceito Earth, um utilitário esportivo elétrico com visual robusto e linhas quadradas, seguindo a nova identidade chamada “The Origin”. O modelo traz soluções como bancos infláveis modulares e estilo inspirado em veículos utilitários clássicos. A previsão é que o SUV chegue ao mercado chinês em 2027, reforçando a tentativa da Hyundai de recuperar espaço em um setor cada vez mais dominado pelas marcas locais.
