Resumo da Notícia
O comércio exterior chinês voltou a ganhar ritmo no início da primavera do Hemisfério Norte. Em setembro, as exportações avançaram em um cenário de tensão comercial com os Estados Unidos, num movimento que reflete tanto a busca por novos mercados quanto o reposicionamento estratégico de Pequim no tabuleiro econômico global. BYD Song Plus deixará de ser produzido na China após queda nas vendas.
Os embarques da segunda maior economia do planeta cresceram 8,3% em relação ao mesmo mês do ano anterior, superando a alta de 4,4% de agosto e as previsões mais otimistas dos analistas. Do lado das importações, o salto foi ainda mais expressivo: 7,4%, bem acima do ganho modesto registrado no mês anterior e da expectativa de 1,5%.

A aceleração ocorre mesmo com o impasse nas negociações com Washington. Sem um acordo tarifário fechado com o presidente americano Donald Trump, os fabricantes chineses ampliaram seus horizontes comerciais, apostando em mercados como Ásia, África e América Latina para compensar as restrições impostas pelos EUA. Atualmente, os norte-americanos respondem por mais de US$ 400 bilhões anuais em compras de produtos chineses.
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Em paralelo, Pequim endureceu algumas regras estratégicas, onde na semana passada, o governo colocou novas terras raras sob controle de exportação e ampliou a fiscalização sobre usuários de semicondutores, pressionando ainda mais cadeias de suprimento nos EUA e na Europa. A medida foi interpretada como um recado antes do encontro entre Trump e Xi Jinping, previsto para o fim do mês.
Essa movimentação acontece num momento em que a trégua tarifária de 90 dias, iniciada em 11 de agosto, se aproxima do fim. Representantes dos dois países já se reuniram após a cúpula de Madri para tratar de questões técnicas, mas ainda não há sinais de avanço concreto para um acordo mais amplo.
Enquanto isso, os exportadores chineses seguem expandindo fronteiras, em agosto, as vendas para a Índia atingiram um recorde histórico, e embarques para a África e o Sudeste Asiático devem fechar o ano em níveis inéditos. Mesmo assim, o superávit comercial caiu de US$ 102,33 bilhões em agosto para US$ 90,45 bilhões em setembro, abaixo das previsões.
Apesar da desaceleração da demanda interna, Pequim tenta mostrar confiança. No fim de setembro, o governo anunciou um pacote de 500 milhões de yuans — cerca de US$ 70 milhões — para impulsionar projetos de investimento e dar fôlego à indústria. O anúncio, embora tardio para influenciar os dados do mês, foi recebido como um sinal de que a China não pretende assistir passivamente ao desaquecimento econômico em meio à guerra comercial.
