IPVA pode cair para 1% do valor do automóvel; proposta avança na Câmara

Proposta na Câmara dos Deputados visa limitar o IPVA a 1% e mudar a base de cálculo do imposto, saindo do valor de mercado para critérios técnicos. Entenda os impactos.
IPVA pode cair para 1% do valor do automóvel; proposta avança na Câmara
Crédito da imagem: Divulgação

Resumo da Notícia

  • Uma proposta na Câmara dos Deputados busca limitar a alíquota do IPVA a 1% em todo o país.
  • A ideia, apresentada pelo deputado Kim Kataguiri, também propõe mudar a base de cálculo do imposto.
  • Atualmente, cada estado define sua alíquota, que pode chegar a 4%, e o cálculo é baseado no valor de mercado.
  • A nova proposta sugere considerar critérios técnicos como peso do veículo e impacto ambiental.
  • O texto visa reduzir a carga tributária e estimular a renovação da frota, mas pode gerar perda de R$ 38 bilhões na arrecadação estadual.
  • A proposta ainda precisa passar por diversas comissões e votações no Congresso Nacional.
Continua após a publicidade

A cobrança do IPVA voltou ao centro do debate em Brasília depois que uma proposta apresentada na Câmara promete mexer na estrutura do imposto em todo o país. A ideia é simples na forma, mas profunda no alcance: limitar a alíquota e mudar a base de cálculo. Se avançar, pode alterar a relação do contribuinte com um dos tributos mais pesados do dia a dia.

Continua após a publicidade

O autor da iniciativa é o deputado federal Kim Kataguiri (União-SP), que protocolou a PEC nº 3 de 2026 na última terça-feira (24). O texto fixa o IPVA em no máximo 1% e já começou a tramitar na Câmara. Segundo ele, a proposta reuniu 224 assinaturas em menos de um mês, bem acima das 171 exigidas para iniciar o processo.

IPVA pode cair para 1% do valor do automóvel; proposta avança na Câmara
Crédito da imagem: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Hoje, cada estado define sua própria alíquota, que pode chegar a 4% em unidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em alguns casos, a taxa varia conforme o tipo de veículo. A mudança, portanto, representaria redução significativa para milhões de proprietários em todo o Brasil.

Continua após a publicidade

Mas a PEC vai além do teto de 1%. Ela propõe alterar o artigo 155 da Constituição para que o imposto deixe de ser calculado com base no valor de mercado e passe a considerar critérios técnicos, como o peso do veículo e seu impacto ambiental. Na prática, carros mais leves tenderiam a pagar menos.

Kataguiri sustenta que o modelo atual cria distorções ao tributar anualmente um bem que se desvaloriza com o tempo. Para ele, a cobrança elevada pode ferir o princípio constitucional do não-confisco, já que, em 25 anos, a soma paga poderia equivaler ao valor integral do carro. A proposta também autoriza descontos para veículos menos poluentes, estimulando a renovação da frota.

Cobertura relacionadaGoverno quer transformar app CNH do Brasil em canal para venda de usados

O ponto mais sensível é o impacto fiscal. A estimativa apresentada fala em perda de cerca de R$ 38 bilhões por ano na arrecadação dos estados. Como compensação, o deputado sugere cortes em despesas administrativas, limitação de gastos com publicidade institucional — restrita a áreas como saúde e defesa civil —, revisão de supersalários e reavaliação de incentivos fiscais, inclusive os ligados à Sudam, Sudene e créditos presumidos de IPI para o setor automotivo.

Apesar da repercussão, o caminho ainda é longo. A matéria precisa passar pela Comissão de Constituição e Justiça, por comissão especial e, depois, pelo plenário, onde dependerá de 3/5 dos votos em dois turnos na Câmara e no Senado.

O parlamentar pretende discutir o andamento com o presidente da Casa, Hugo Motta, enquanto lança uma plataforma digital para simular os efeitos da proposta nos estados e ampliar o debate público.

Continua após a publicidade

Deixe um comentário

Seu e‑mail não será publicado.