Resumo da Notícia
A Hyundai iniciou no Brasil uma mudança estratégica que deve impactar parte importante de sua linha de veículos nos próximos meses. A estreia do novo i20 já revelou o caminho escolhido pela fabricante para enfrentar as novas regras tributárias e ambientais do país. A principal alteração envolve a redução da potência de motores turbo para enquadramento em faixas mais vantajosas de tributação.
O novo Hyundai i20 chegou ao mercado equipado com uma versão recalibrada do motor 1.0 turbo flex de três cilindros. Em vez dos tradicionais 120 cv, o propulsor passa a entregar 115 cv, mantendo o mesmo torque de 17,5 kgfm e preservando o desempenho esperado para o uso diário. A mudança também será aplicada ao HB20, HB20S e Creta.
A decisão não está relacionada a problemas mecânicos ou limitações técnicas. Pelo contrário, trata-se de uma adequação às novas regras do chamado IPI Verde, sistema que passou a considerar fatores como eficiência energética, potência, segurança, reciclabilidade e tecnologia embarcada na definição da carga tributária dos veículos.
Pelas normas atuais, automóveis com potência de até aproximadamente 115,5 cv permanecem livres de um acréscimo específico no Imposto sobre Produtos Industrializados. Acima desse limite, os modelos passam automaticamente para uma faixa tributária superior, sofrendo aumento de 0,75 ponto percentual na alíquota.
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Programa Mover influencia toda a indústria automotiva
A movimentação da Hyundai faz parte de um cenário mais amplo provocado pelo Programa Mover e pelo projeto Carro Sustentável, iniciativas do Governo Federal voltadas para estimular veículos mais eficientes e com menor impacto ambiental. As novas regras têm levado diversas montadoras a revisar motores e calibrações.
Nesse contexto, a fabricante sul-coreana optou por ajustar seus modelos mais vendidos sem alterar características estruturais do conjunto mecânico. O motor Smartstream 1.0 TGDi continua equipado com injeção direta de combustível, três cilindros, 12 válvulas e comando por corrente metálica, mantendo a mesma base tecnológica já conhecida pelos consumidores.
A expectativa é que até o fim do terceiro trimestre de 2026 toda a família equipada com o motor 1.0 turbo esteja adaptada à nova configuração. O objetivo é garantir enquadramento tributário mais favorável sem comprometer a eficiência energética nem a competitividade dos veículos no mercado brasileiro.
HB20, Creta e até motor 1.6 turbo entram na estratégia
Atualmente, o motor 1.0 turbo está presente nas versões mais completas do HB20 e HB20S, além de diversas configurações do Creta. Com a recalibração, todos esses modelos devem passar a operar dentro do novo limite de potência, seguindo a mesma estratégia já adotada na chegada do i20 ao país.
As mudanças também alcançaram motores maiores. No Creta Ultimate e no esportivado N-Line, o propulsor 1.6 turbo passou recentemente por ajustes que reduziram sua potência de até 193 cv para até 176 cv. Com isso, o utilitário passou a se enquadrar em uma faixa tributária menos onerosa.
Mais do que uma simples redução de números na ficha técnica, a estratégia revela como as novas regras brasileiras estão influenciando diretamente o desenvolvimento dos automóveis. A tendência é que outras fabricantes sigam o mesmo caminho, priorizando eficiência fiscal e energética sem abrir mão da competitividade em um mercado cada vez mais regulado.
