Governo do México estuda processar Elon Musk após fala sobre Sheinbaum e cartéis

Presidente do México, Claudia Sheinbaum, reage a declarações de Elon Musk sobre cartéis e não descarta ação judicial. Entenda a polêmica.
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Crédito da imagem: Instagram/@elonofficiall

Resumo da Notícia

  • Presidente do México, Claudia Sheinbaum, avalia processar Elon Musk após o bilionário acusá-la de ter ligações com cartéis.
  • A polêmica começou com um comentário de Musk em rede social sobre um vídeo antigo de Sheinbaum, em meio a uma operação militar contra o líder do Cartel Jalisco Nova Geração.
  • Sheinbaum classificou as declarações de Musk como "absurdas" e afirmou que a riqueza não confere autoridade moral.
  • A presidente defendeu a estratégia de seu governo de buscar estabilidade e paz no combate ao crime organizado, em contraste com a "guerra às drogas" iniciada por Felipe Calderón.
  • Especialistas apontam que um processo nos EUA contra Musk seria desafiador devido às leis de liberdade de expressão.
  • O governo mexicano busca restabelecer a ordem após a morte de Nemesio Oseguera Cervantes, o "El Mencho".
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A tensão entre política e tecnologia atravessou fronteiras nesta semana. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, reagiu publicamente a uma acusação feita por Elon Musk e deixou claro que não descarta recorrer à Justiça. O embate ganhou dimensão internacional e expôs, mais uma vez, o peso das palavras nas redes sociais.

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A polêmica começou após uma operação militar que resultou na morte de Nemesio Oseguera Cervantes, o “El Mencho”, apontado como líder do Cartel Jalisco Nova Geração. A ação, realizada no estado de Jalisco com apoio de inteligência dos Estados Unidos, provocou bloqueios de estradas e ataques coordenados por grupos armados. O governo mexicano passou os dias seguintes tentando restabelecer a ordem em regiões afetadas.

Governo do México estuda processar Elon Musk após fala sobre Sheinbaum e cartéis
Crédito da imagem: Bloomberg

Foi nesse contexto que Elon Musk usou a plataforma X para comentar um vídeo antigo, de 2025, em que Sheinbaum defendia que a retomada da “guerra às drogas” não era uma alternativa viável. O bilionário afirmou que a presidente estaria “dizendo o que seus chefes do cartel mandam”, sem apresentar qualquer prova. A publicação rapidamente repercutiu dentro e fora do México.

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Em coletiva no dia 24 de fevereiro, Sheinbaum classificou as declarações como “absurdas” e disse que seus advogados avaliam a possibilidade de uma ação judicial. “A riqueza não confere autoridade moral”, afirmou, em referência indireta à fortuna acumulada por Musk no Vale do Silício. Segundo ela, o que mais importa é a opinião do povo mexicano.

A presidente também rechaçou a ideia de que seu governo seja um “narcogoverno”, termo usado por críticos nas redes. Disse não entender como tais acusações são criadas e ironizou os comentários. Para Sheinbaum, o combate ao crime organizado deve buscar estabilidade e paz, e não repetir estratégias que, no passado, ampliaram a violência.

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A lembrança remete à ofensiva iniciada em 2006 pelo então presidente Felipe Calderón, que colocou as Forças Armadas no centro do enfrentamento aos cartéis. A estratégia levou à fragmentação de grupos criminosos e a disputas sangrentas por território, cenário que muitos analistas apontam como fator para os altos índices de homicídio no país. Hoje, o México soma mais de 130 mil pessoas desaparecidas.

Aliada do partido governista Morena, Sheinbaum afirmou que a prisão de suspeitos pode gerar reações violentas, mas insistiu que seu governo não retornará a uma lógica de guerra. Já Musk, aliado político de Donald Trump, não comentou oficialmente o caso por meio de suas empresas.

Caso a ação avance nos Estados Unidos, especialistas apontam que a presidente teria de provar que as acusações foram feitas com conhecimento de falsidade ou desprezo pela verdade — um desafio considerável diante das rígidas leis americanas sobre liberdade de expressão.

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