Resumo da Notícia
A disparada recente do diesel acendeu um alerta em toda a cadeia econômica brasileira. Em poucas semanas, o combustível — peça-chave do transporte de cargas — ficou mais caro e passou a pressionar custos que vão do frete ao preço final dos alimentos. O movimento, rápido e intenso, já começa a preocupar especialistas e o setor produtivo.
Levantamento da TruckPag mostra que o preço médio do diesel chegou a R$ 7,22 na quarta-feira (19), após avançar 26% desde o fim de fevereiro. Naquele período, o litro custava R$ 5,74, indicando um salto de R$ 1,48 em menos de um mês. Os dados refletem compras reais feitas diretamente nos postos.

A pesquisa se baseia em mais de 143 mil transações realizadas em 4.664 postos espalhados pelo país. Desse total, cerca de 94% estão em rodovias, o que evidencia o impacto direto sobre o transporte rodoviário. Nos últimos 30 dias, mais de 80% dos abastecimentos foram feitos por caminhões.
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O avanço ocorre em ritmo mais acelerado do que o captado pelos dados oficiais. Na semana anterior, a ANP havia registrado alta de 11%, mas com defasagem natural na coleta. Segundo a TruckPag, os preços chegaram a subir quase 1% ao dia em determinados momentos.
A principal razão está no cenário internacional. A guerra no Oriente Médio elevou o preço do petróleo, com reflexos imediatos no diesel importado — que responde por cerca de 30% do consumo nacional. Com o barril em forte alta, o repasse acabou chegando rapidamente às bombas.
Mesmo com medidas do governo federal, como redução de tributos e subsídios que somam cerca de R$ 0,32 por litro, o efeito ainda não foi sentido pelo consumidor. O pacote busca conter a escalada, mas o mercado segue pressionado por fatores externos.
Nos estados, os aumentos foram expressivos e generalizados. Tocantins lidera com alta superior a 37%, seguido por Santa Catarina, Goiás e Mato Grosso do Sul. No Nordeste, o Piauí aparece entre os maiores avanços, com elevação próxima de 28%.
Com o diesel representando até 45% do custo do transporte rodoviário, o impacto tende a se espalhar. A alta pressiona renegociações de frete, encarece a logística e deve chegar ao consumidor final nas próximas semanas, dependendo da evolução do cenário internacional.
