O governo chinês decidiu apertar ainda mais as regras para veículos de luxo, incluindo agora também os modelos elétricos na lista dos que pagam imposto extra. A nova política, que já está valendo, reduziu o valor mínimo para aplicação da taxa: antes eram US$ 182.600; agora, qualquer carro acima de US$ 126.400 já entra na mira da cobrança, o que afeta modelos como Mercedes EQS, Porsche Taycan e outros.
Segundo o jornal alemão Handelsblatt, o novo imposto é cobrado com base no valor final do carro, incluindo opcionais e acessórios. Isso significa que versões mais equipadas vão pesar ainda mais no bolso. A taxa deve ser paga no momento da compra, o que encarece diretamente os modelos mais sofisticados.

A mudança atinge em cheio as montadoras estrangeiras que já enfrentam um mercado altamente competitivo na China. Marcas como Mercedes-Benz, Porsche, Land Rover e Lexus são diretamente impactadas, enquanto fabricantes locais seguem oferecendo opções com preços abaixo do novo limite e escapam da tributação.
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Mesmo antes dessa nova regra, o segmento de luxo já dava sinais de queda. Só no primeiro semestre de 2025, as vendas de veículos com preço acima de ¥1 milhão (US$ 140 mil) caíram quase pela metade, após uma retração de 34% em 2024. A instabilidade econômica e o maior cuidado dos consumidores explicam parte desse recuo.
Modelos como o Mercedes Classe S, vendido por ¥962.600 (US$ 134.100), e o Porsche Panamera, por ¥1.138.000 (US$ 158.600), já vinham sendo afetados por impostos anteriores. Agora, mais modelos se somam à lista dos taxados, ampliando o impacto da nova regra.
Entre os cerca de 37 mil carros atingidos pelo novo tributo no primeiro semestre deste ano, quase metade era da Mercedes-Benz. Land Rover respondeu por 23%, Porsche por 18%, Lexus por 8% e Bentley por 3%, segundo a Associação Chinesa de Concessionários de Automóveis.
Apesar disso, os veículos de luxo representam uma fatia pequena do mercado chinês. No mesmo período, as vendas totais chegaram a 15,7 milhões de unidades — alta de 11,4% em relação a 2024. Mas o peso simbólico e as margens de lucro elevadas desses modelos justificam a preocupação das marcas premium.
A agência estatal Xinhua afirmou que o objetivo da medida é reduzir a presença de carros de luxo importados no país. No entanto, especialistas como Deng Jianquan, da Cinda Securities, acreditam que o impacto será limitado, já que o público-alvo continua disposto a pagar. Esses veículos já enfrentam 40% de imposto de consumo, mais 15% de tarifa de importação, tornando o custo total bastante alto mesmo antes da nova taxa.
Ele enfatizou que a Mercedes-Benz se manterá afastada das guerras de preços, concentrando-se em vez disso em valores residuais estáveis. Essa estratégia poderá ser interessante também para outras montadoras, como a BYD que planeja lançar a marca de luxo Yangwang na Europa.
