Resumo da Notícia
Os híbridos plug-in vistos como elo entre os carros a combustão e os elétricos estão sob novo escrutínio na Europa. Um levantamento da organização Transport & Environment (T&E) revelou que esses veículos, vendidos como opção ecológica, emitem quase o mesmo nível de CO₂ que os modelos a gasolina. O resultado reacendeu o debate sobre a real eficiência dessa tecnologia, que depende diretamente do hábito dos motoristas em recarregar as baterias.
A associação automotiva alemã (VDA) liderada por Hildegard Müller manifestou preocupação com o comportamento dos donos de PHEVs. Para ela, muitos motoristas simplesmente ignoram a parte elétrica e utilizam os veículos como carros comuns a combustão. A executiva defende medidas para estimular o uso do modo elétrico e até regras obrigando o carregamento regular das baterias.

O estudo da T&E avaliou 800 mil veículos e concluiu que as emissões médias dos híbridos plug-in atingem 135 g de CO₂ por km, contra os 166 g/km dos carros convencionais e muito acima dos 35 g/km declarados em testes oficiais. O dado mostra uma diferença de quase cinco vezes entre o que é divulgado e o que ocorre nas ruas.
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Segundo a entidade, o problema está no uso incorreto, pois muitos proprietários deixam de recarregar as baterias, rodando apenas com o motor a combustão. Essa prática não só aumenta a poluição, como também gera gasto adicional de € 500 por ano (cerca de R$ 3.100) em combustível. Além disso, cada aceleração mais forte, clima frio ou subidas de serra fazem o sistema priorizar o motor a gasolina.
Müller sugeriu que o desempenho dos motores térmicos poderia ser limitado eletronicamente, obrigando o condutor a recorrer ao sistema elétrico em busca de potência. Assim acredita seria possível aproximar a condução dos PHEVs à dos veículos elétricos, reduzindo emissões e ruídos. A executiva reforça que é preciso criar hábitos sustentáveis para garantir os benefícios da tecnologia.
A pesquisa ainda aponta que a diferença entre números oficiais e reais está crescendo. Em 2021, os testes do WLTP indicavam 38,1 g/km, enquanto o mundo real mostrava 133,7 g/km, um desvio de 3,5 vezes. Em 2023, o número saltou para 138,6 g/km contra apenas 28,3 g/km nos testes, chegando a cinco vezes de discrepância.
Os fabricantes também são afetados pela polêmica. Segundo a T&E, empresas deixaram de pagar € 6 bilhões em multas (R$ 37,5 bilhões) por conta dos índices reduzidos registrados pelo WLTP. Entre as montadoras com maior diferença entre teste e realidade estão Renault, Stellantis, Volkswagen e com destaque a Mercedes-Benz, cuja disparidade chegou a 500%.
No fim o estudo reforça que o sucesso dos híbridos depende mais dos motoristas do que da tecnologia. Enquanto houver falta de infraestrutura e recarga irregular, os PHEVs continuarão se comportando como carros a gasolina, mais pesados e poluentes. Para efeito de comparação, os EREVs, que usam o motor a combustão apenas como gerador, chegam a rodar 9.000 km por ano no modo elétrico.
