Carro da Toyota vendido na Índia tira nota zero em segurança e avaliação acaba suspensa

O Toyota Starlet, hatch compacto vendido na África do Sul, obteve nota zero em segurança no Global NCAP, gerando debate sobre padrões em mercados emergentes.
Carro da Toyota vendido na Índia tira nota zero em segurança e avaliação acaba suspensa
Crédito da imagem: Global NCAP/Divulgação

Resumo da Notícia

  • O Toyota Starlet, produzido na Índia, recebeu classificação zero estrela em proteção para adultos pelo Global NCAP.
  • O modelo, derivado do Suzuki Baleno, apresentou instabilidade estrutural e falhas graves em impactos frontais e laterais.
  • A ausência de airbags laterais e de cortina na versão testada comprometeu a segurança da cabeça e do tórax dos ocupantes.
  • O Global NCAP suspendeu testes adicionais devido ao alto risco de lesões fatais detectado durante a avaliação inicial.
  • A Toyota África do Sul alegou que o modelo testado era uma versão antiga e que a linha atual já conta com equipamentos de segurança aprimorados.
  • O caso reacende a discussão global sobre a disparidade de segurança veicular entre países desenvolvidos e mercados emergentes.
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O resultado mais recente dos testes de segurança do Global NCAP colocou a Toyota no centro de um debate mundial sobre proteção veicular em mercados emergentes. O hatch compacto Starlet, um dos carros mais vendidos da marca na África do Sul, recebeu classificação zero estrela para proteção de adultos, reacendendo discussões sobre diferenças de segurança entre versões vendidas em países distintos.

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Produzido na Índia e desenvolvido a partir da mesma base estrutural do Suzuki Baleno, o Toyota Starlet é praticamente um modelo compartilhado entre as duas fabricantes. As mudanças ficam concentradas em detalhes visuais, como para-choques, grade frontal e logotipos, enquanto a estrutura principal permanece praticamente idêntica.

A avaliação foi realizada dentro do programa “Safer Cars for Africa”, iniciativa do Global NCAP voltada à análise de veículos comercializados em mercados africanos. O desempenho do hatch decepcionou principalmente na proteção para ocupantes adultos, área em que o carro simplesmente não somou pontos suficientes para conquistar sequer uma estrela.

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Crédito da imagem: Global NCAP/Divulgação

Mesmo equipado com dois airbags frontais, controle eletrônico de estabilidade e fixações ISOFIX para cadeirinhas infantis, o modelo apresentou fragilidades consideradas graves pelos engenheiros responsáveis pelos testes. O relatório apontou que a carroceria e o assoalho do veículo foram classificados como estruturalmente instáveis durante os impactos.

Segundo o Global NCAP, a região inferior da cabine mostrou incapacidade de suportar cargas adicionais em colisões mais severas. Na prática, isso significa que a estrutura pode sofrer deformações excessivas em acidentes mais fortes, aumentando significativamente os riscos de ferimentos graves aos ocupantes dianteiros.

O cenário ficou ainda mais preocupante no teste de impacto lateral contra barreira deformável. A ausência de airbags laterais e de cortina comprometeu diretamente a proteção da cabeça e do tórax dos ocupantes simulados. O órgão classificou a proteção dessas regiões como inadequada e considerada abaixo do aceitável para padrões atuais de segurança.

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A gravidade dos resultados foi tão elevada que o Global NCAP decidiu nem sequer realizar o teste lateral contra poste, normalmente aplicado em veículos que oferecem proteção lateral de cabeça. A entidade considerou existir um risco elevado de lesões fatais caso o procedimento fosse executado nas condições apresentadas pelo modelo avaliado.

Na proteção infantil, o Starlet conseguiu desempenho menos negativo, recebendo três estrelas. Ainda assim, os testes revelaram falhas importantes. Durante a colisão frontal, a cabeça do boneco que simulava uma criança de três anos entrou em contato com partes internas do carro, enquanto no impacto lateral houve exposição significativa da cabeça ao choque.

A situação gerou repercussão internacional porque o Starlet é derivado diretamente do Suzuki Baleno, modelo que havia conquistado quatro estrelas no Bharat NCAP, programa de segurança da Índia. A diferença nos resultados levantou questionamentos sobre mudanças de equipamentos, calibração estrutural e diferentes especificações adotadas para cada mercado.

Especialistas do setor apontam que o modelo enviado ao mercado africano utilizava uma configuração mais simples, ainda equipada apenas com dois airbags. Isso reforçou críticas antigas sobre fabricantes oferecerem níveis distintos de segurança conforme o país onde o veículo será comercializado, principalmente em regiões emergentes.

Richard Woods, diretor-executivo do Global NCAP, classificou o resultado como “chocante”, destacando que o Starlet é um dos carros mais populares da África do Sul. Segundo ele, a combinação entre estrutura instável e proteção inadequada para cabeça e tórax representa uma preocupação séria para consumidores daquele mercado.

Após a divulgação do teste, a Toyota África do Sul afirmou que o veículo avaliado pertence a uma versão antiga, em fim de ciclo comercial, e que não representa mais o modelo atualmente vendido no país. A fabricante informou que a linha recebeu atualizações importantes de segurança, incluindo airbags laterais e airbags de cortina de série.

O próprio Global NCAP confirmou que já adquiriu anonimamente a versão atualizada do hatch para uma nova rodada de avaliações nos próximos meses. Enquanto isso, o caso do Toyota Starlet segue repercutindo na indústria automotiva porque evidencia um problema cada vez mais discutido globalmente: a diferença entre os padrões de segurança oferecidos em mercados ricos e emergentes.

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