Resumo da Notícia
A decisão da BYD de lançar sua primeira picape híbrida plug-in no mercado chinês não vem por acaso. Depois de estrear em palcos internacionais e ganhar espaço em países estratégicos, a Shark agora se prepara para desembarcar no seu próprio quintal — e com uma estratégia bem calculada. A confirmação foi feita por Li Yunfei, gerente geral de relações públicas da marca, ao responder perguntas no Weibo.
Curiosamente, o modelo estreou longe de casa, foi no México foi o primeiro país a receber a Shark, ainda em maio de 2024, inaugurando uma ofensiva inédita da marca: lançar um veículo global antes mesmo do mercado doméstico. Desde então, a picape chegou a mercados como Brasil, Panamá, Camboja, Austrália e Paquistão, acumulando mais de 30 mil unidades exportadas até setembro de 2025.

A estratégia de “voltar para casa por último” também tem explicação: durante anos, as caminhonetes tiveram uso limitado nas áreas urbanas da China. Essas restrições reduziram a atratividade do segmento, deixando-o como um nicho. Porém, o cenário está mudando. Várias cidades já flexibilizaram as regras, abrindo espaço para que novas picapes eletrificadas encontrem seu público.
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Os números confirmam essa guinada, de janeiro a agosto de 2025, as vendas de picapes no país alcançaram 369 mil unidades, alta de 7% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros. No segmento de novas energias, o salto foi ainda mais expressivo: 49 mil unidades vendidas, crescimento de 536% em apenas um ano.

Com esse novo ambiente, a BYD enxerga espaço para a Shark competir em um nicho menos congestionado que o dos SUVs e sedãs eletrificados. Rivais já se movimentam: nomes como Ridarra RD6 PHEV e GWM Cannon Alpha (Shanhai Poer) figuram entre os principais concorrentes diretos no país. A expectativa é que o preço local seja mais competitivo que no exterior, tornando a picape ainda mais atraente.
Em termos técnicos, a Shark utiliza a plataforma DMO — “DM” de modo duplo e “O” de off-road — e ostenta porte avantajado: 5,46 metros de comprimento, 1,97 m de largura e 1,93 m de altura, com entre-eixos de 3,26 m. Com cinco lugares e caçamba de 1.450 litros, traz interior moderno, central multimídia de 12,8” e uma combinação de motor 1.5 turbo com dois elétricos, que juntos entregam 320 kW (429 cv) e 650 Nm de torque.

A autonomia elétrica é de 100 km no ciclo NEDC, e o alcance combinado chega a 840 km, com consumo médio de 7,5 l/100 km. A aceleração de 0 a 100 km/h acontece em 5,7 segundos, reforçando seu perfil de desempenho robusto. Já os preços variam conforme o país: no México, parte de 899.980 pesos; na Austrália, 57.900 dólares australianos; no Brasil, R$ 379.800.
Com vendas sólidas no exterior e um cenário interno mais favorável, a BYD prepara terreno para que a Shark seja mais do que uma novidade: a picape pode simbolizar a abertura de um novo capítulo no mercado chinês de utilitários eletrificados, onde tradição e inovação começam, enfim, a dividir o mesmo espaço.
