Vendas de carros despencam na China e têm pior queda em 10 meses

Com menos apoio do governo, marcas oferecem bônus próprios para atrair compradores, mas a confiança ainda demora a se recuperar
Vendas de carros despencam na China e têm pior queda em 10 meses
Crédito da imagem: CarNewsChina

Resumo da Notícia

  • O mercado chinês enfrenta um fim de 2025 mais fraco, com queda de 8,5% em novembro e consumidores inseguros diante do corte de subsídios.
  • Veículos elétricos e híbridos seguem liderando as vendas, mas Pequim retirou o setor da lista de indústrias estratégicas, indicando novos desafios.
  • Enquanto Xiaomi e Tesla avançam, a BYD enfrenta retração em meio à guerra de preços, mostrando um mercado cada vez mais disputado.
Continua após a publicidade

O mercado automototivo chinês, acostumado a terminar o ano em ritmo acelerado, vive um fim de 2025 marcado por números inesperados e sinais de desconfiança. A retirada gradual dos subsídios, a disputa acirrada entre montadoras e a turbulência causada por uma oferta acima da demanda redesenham o cenário. No centro dessa mudança, o consumidor observa com cautela os rumos do setor.

Continua após a publicidade

Dados divulgados recentemente mostram que as vendas de automóveis caíram 8,5% em novembro, o segundo recuo mensal e o maior em dez meses. A retração surpreendeu especialistas, já que novembro e dezembro costumam registrar fôlego extra. Para a Associação Chinesa de Automóveis de Passageiros, o movimento lembra o tom mais contido visto em 2008.

Vendas de carros despencam na China e têm pior queda em 10 meses
Crédito da imagem: Nissan

O impacto dos incentivos reduzidos pesa diretamente no bolso e no humor dos compradores, que adiam decisões antes tomadas com rapidez. As montadoras tentam compensar esse enfraquecimento oferecendo subsídios próprios, alguns chegando a 15 mil yuans para pedidos feitos até o fim do ano. Mesmo assim, a expectativa é de que a confiança leve algum tempo para se recompor.

Continua após a publicidade

O enfraquecimento das vendas de carros a gasolina e a forte base de comparação do ano passado ajudam a explicar parte da desaceleração atual. Ainda assim, projeções indicam que 2025 deve fechar com crescimento modesto de 5% no acumulado. Para 2026, porém, analistas preveem um mercado praticamente estável, pressionado pela enxurrada de novos modelos.

Enquanto isso, a demanda por veículos elétricos e híbridos plug-in segue robusta, representando 58,9% do total vendido em novembro. As trocas subsidiadas já ultrapassam 11,2 milhões no ano. Mesmo assim, Pequim retirou o setor da lista de indústrias estratégicas nos próximos cinco anos, gesto que sinaliza um período mais desafiador.

Cobertura relacionadaRanking dos carros mais vendidos na 1ª quinzena de junho de 2026

Apesar do ambiente competitivo mais duro, empresas como a Xiaomi continuam avançando — a marca já superou 40 mil entregas mensais pelo terceiro mês seguido e alcançou sua meta anual de 350 mil carros. Nas exportações, o país registrou salto expressivo: alta de 52,4% no mês, com expectativa de crescer 40% em 2026, puxado por elétricos e híbridos.

Nissan N6 PHEV estreia na China por R$ 69 mil e mira expansão global
Crédito da imagem: Nissan

Nem todas as gigantes, porém, surfam a mesma maré. A BYD, envolvida em uma batalha de preços no segmento de entrada, viu suas vendas globais caírem pelo terceiro mês seguido, apesar dos recordes no mercado externo. A empresa alcançou 91% da meta revisada para o ano, resultado pressionado por concorrentes como Geely e Leapmotor.

A Tesla, por outro lado, recuperou o fôlego na China após um outubro fraco e registrou 73.145 unidades vendidas em novembro. Somando todas as categorias, o mercado chinês bateu 2,24 milhões de carros no mês. Números que, embora volumosos, refletem um setor que tenta entender para onde vai quando o incentivo perde força e a competição sobe de patamar.

Fonte: Reuters

Continua após a publicidade

Deixe um comentário

Seu e‑mail não será publicado.