Resumo da Notícia
A nova ofensiva comercial do governo Trump reacende a tensão entre os Estados Unidos e seus principais parceiros econômicos. A partir de 1º de novembro de 2025, todos os caminhões médios e pesados importados passarão a pagar tarifa de 25%, em mais um passo do presidente para proteger a indústria americana da concorrência estrangeira. O anúncio foi feito por Trump em sua rede Truth Social, marcando a ampliação de sua política protecionista.
O republicano havia indicado em setembro que as novas taxas entrariam em vigor em 1º de outubro, mas acabou adiando a medida após forte pressão de montadoras tradicionais e aliados comerciais. Ele alegou “razões de segurança nacional” e prometeu defender fabricantes como Peterbilt, Kenworth e Freightliner, que dominam o mercado doméstico de caminhões.

As novas tarifas foram amparadas pela Seção 232 da Lei de Expansão Comercial, que permite sobretaxar produtos considerados estratégicos. A investigação iniciada em abril pelo Departamento de Comércio concluiu que o aumento das importações ameaçava a produção nacional de veículos pesados.
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O setor, no entanto, teme um efeito dominó. Especialistas alertam que o aumento nos impostos pode elevar o custo dos veículos usados em diversos setores — da construção civil ao transporte urbano —, além de agravar o impacto das tarifas já existentes sobre aço e alumínio.
O México, principal fornecedor de caminhões aos EUA, reagiu com veemência. O governo mexicano afirmou que mais da metade do conteúdo dos veículos exportados é de origem americana e lembrou que, pelo acordo CUSMA (T-MEC), produtos com 64% de valor regional deveriam ser isentos.
Empresas como Stellantis, que fabrica caminhonetes Ram no México, tentam reverter ou suavizar os efeitos das novas taxas. Já GM e Ford se opuseram à ideia, temendo vantagem competitiva da rival. O grupo Volvo, por sua vez, segue investindo em uma nova fábrica de US$ 700 milhões em Monterrey, prevista para 2026.

No ano passado, os EUA importaram 245 mil caminhões médios e pesados, um comércio avaliado em mais de US$ 20 bilhões. O México lidera com 340 mil unidades desde 2019, seguido por Japão, Canadá, Alemanha e Finlândia, todos considerados aliados estratégicos.
As montadoras Paccar (Peterbilt e Kenworth) e Volvo Group produzem quase toda sua linha em solo americano, mas empresas como a International Motors dependem fortemente das importações mexicanas — em alguns casos, até 98% da frota.
Apesar das críticas, Trump celebrou a medida como uma “vitória dos trabalhadores americanos”. Para ele e seus apoiadores, as tarifas são uma resposta necessária à “concorrência desleal” e um passo essencial para revigorar a indústria pesada dos EUA, mesmo que isso aprofunde as disputas comerciais com seus parceiros mais próximos.
