Resumo da Notícia
O debate em torno da Tesla ganhou novo fôlego depois que um grupo de grandes investidores passou a pressionar contra o pacote salarial bilionário de Elon Musk. A proposta, considerada a maior da história corporativa, prevê até US$ 1 trilhão em ações, mas reacendeu críticas sobre governança e foco do CEO na montadora.
A ofensiva foi oficializada em uma carta enviada aos acionistas, assinada por fundos de pensão, sindicatos e autoridades de oito estados norte-americanos, incluindo o controlador de Nova York, Brad Lander. O documento pede que investidores rejeitem não apenas a remuneração de Musk, mas também a reeleição de três diretores do conselho, citando falhas de supervisão e laços pessoais excessivos com o executivo.

Entre os nomes contestados estão Ira Ehrenpreis, Joe Gebbia e Kathleen Wilson-Thompson. A coalizão acusa o conselho de agir como “capturado” por Musk e permitir que o bilionário se distraia com outras empresas, ao mesmo tempo em que ignora quedas de desempenho financeiro e operacional da Tesla.
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O histórico pesa contra o pacote, pois em 2018, a Tesla já havia proposto uma remuneração de US$ 55 bilhões, invalidada por decisão judicial em Delaware, após acusações de enganar acionistas. Mesmo assim, a empresa submeteu o plano a uma nova votação, aprovada por margem estreita, mas novamente anulada.
Agora, o valor proposto é quase vinte vezes maior, onde apesar de a Tesla ter reportado entregas trimestrais recordes recentemente, investidores alertam que a perda de créditos fiscais para elétricos nos EUA e a pressão de concorrentes mais ágeis podem minar os resultados futuros.
Outro ponto de tensão é a concentração de poder, pois Musk já vendeu parte de suas ações para comprar o Twitter e, segundo críticos, busca recompor participação de controle à custa da diluição dos demais acionistas. Para especialistas, o plano entrega a ele vantagens desproporcionais sem exigir resultados claros em áreas como robotáxis, robôs e software de direção autônoma.
A carta também lembra que o conselho da Tesla é um dos mais bem pagos de Wall Street. A presidente Robyn Denholm, por exemplo, recebe quase 200 vezes o que ganha um diretor médio do S&P 500. Essa estrutura, dizem os signatários, compromete a independência e reforça a resistência a qualquer mudança de rumo.
Em resposta, a Tesla usou o X (antigo Twitter) para defender o pacote, alegando que ele vincula a remuneração de Musk à criação de “trilhões em valor para os acionistas” e que, se as metas não forem cumpridas, o CEO não receberá nada. A empresa citou ainda um retorno anualizado de 49% desde 2018 como prova de sua liderança.
O impasse deverá ter seu clímax na reunião de novembro, quando os acionistas votarão. Para críticos, será a última oportunidade de limitar o poder de Musk e redefinir a governança da Tesla; para seus defensores, é o preço de manter um líder visionário no comando da empresa que ajudou a revolucionar a indústria automotiva.
