A volta do Volkswagen Tiguan ao mercado brasileiro começou em ritmo acelerado e com números que surpreenderam até a própria fabricante. Em apenas 12 minutos de pré-venda durante o evento Open Doors, realizado nesta quinta-feira, a marca recebeu 3.136 pedidos do SUV, um desempenho que reforça a força do nome Tiguan entre os consumidores brasileiros mesmo em um segmento cada vez mais disputado.
O resultado impressiona ainda mais porque o modelo chega sem eletrificação, em um momento no qual os utilitários esportivos híbridos e elétricos avançam rapidamente no país. Ainda assim, o novo Tiguan apostou em outro caminho: desempenho elevado, tecnologia embarcada, acabamento refinado e um pacote amplo de equipamentos para tentar recuperar espaço entre os SUVs médios e grandes.

Importado do México e vendido exclusivamente na configuração R-Line, o Tiguan desembarca no Brasil por R$ 299.990. O valor elevado não afastou os consumidores. Considerando os mais de 3,1 mil pedidos feitos em poucos minutos, a Volkswagen estima um potencial de quase R$ 1 bilhão em negócios envolvendo apenas a nova geração do utilitário esportivo.
A fabricante atribui parte desse sucesso ao forte apelo histórico do modelo. Segundo Fernando Silva, vice-presidente de Vendas e Marketing da Volkswagen do Brasil, o Tiguan se consolidou como um dos veículos mais emblemáticos da marca e a nova geração reforça justamente essa relação de fidelidade construída ao longo dos anos com antigos clientes do SUV.
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O novo Tiguan também marca a estreia no Brasil do motor EA888 de quinta geração. Trata-se do propulsor 2.0 turbo a gasolina mais potente já usado no modelo no país, entregando 272 cavalos de potência e 35,7 kgfm de torque. O conjunto trabalha com transmissão automática de oito marchas e tração integral 4Motion, permitindo aceleração de 0 a 100 km/h em 7,4 segundos.
Além da força, a Volkswagen destaca avanços importantes na engenharia do motor. O propulsor utiliza turbo de geometria variável, operação no Ciclo Miller, pressão de combustão ampliada para 500 bar, intercooler indireto integrado e filtro de partículas. O objetivo é combinar desempenho elevado com maior eficiência energética e funcionamento mais refinado.
Na prática, o SUV registra consumo de 8,9 km/l na cidade e 12,1 km/l na estrada, sempre abastecido com gasolina. A autonomia pode chegar a aproximadamente 716 quilômetros. O sistema de tração integral ainda adapta automaticamente a entrega de potência conforme o terreno, oferecendo modos de condução Eco, Normal, Sport, Individual, Snow e Off-road.
Visualmente, o Tiguan adotou uma identidade mais moderna e alinhada aos novos produtos globais da Volkswagen. A dianteira ficou mais arredondada, ganhou novos faróis IQ.Light Matrix em LED e uma faixa iluminada integrada à grade frontal. Pela primeira vez no Brasil, o logotipo da Volkswagen também recebe iluminação tanto na dianteira quanto na traseira.
Na parte traseira, as lanternas interligadas por uma faixa luminosa percorrem toda a tampa do porta-malas, enquanto o novo para-choque traz acabamento com desenho em colmeia. As rodas de 19 polegadas reforçam a proposta esportiva da versão R-Line, única disponível para o mercado brasileiro.
O SUV cresceu em largura e altura, embora tenha ficado levemente menor em comprimento em comparação ao antigo AllSpace. Agora, o Tiguan mede cerca de 4,70 metros de comprimento, 1,87 metro de largura e 2,79 metros de entre-eixos. O espaço interno continua generoso, mas o modelo abandonou definitivamente a proposta de sete lugares e passa a oferecer apenas cinco assentos.
Essa mudança também impactou o porta-malas, que caiu para 550 litros em algumas medições divulgadas pela marca e para 423 litros segundo dados apresentados no lançamento global. O papel de SUV familiar com sete lugares dentro da Volkswagen passa agora para o Tayron, novo utilitário que ocupará esse espaço estratégico no portfólio internacional da montadora.
Na cabine, o Tiguan tenta justificar o preço elevado com um ambiente mais sofisticado. O painel digital Digital Cockpit Pro de 10,25 polegadas se une à central multimídia flutuante de 15 polegadas, compatível com Android Auto e Apple CarPlay sem fio. O interior ainda traz iluminação ambiente configurável com até 30 cores diferentes.
O pacote de equipamentos inclui teto solar panorâmico, ar-condicionado de três zonas, bancos em couro com função de massagem, sistema de som Harman Kardon, câmera 360 graus, assistente de estacionamento, controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência e head-up display. A proposta é posicionar o Tiguan em um patamar próximo ao de SUVs premium.
Mesmo sem eletrificação, o novo Tiguan chega para enfrentar concorrentes fortes como Jeep Commander, GWM Haval H6, BYD Song Plus e Jaecoo 7. A Volkswagen aposta justamente no equilíbrio entre desempenho, dirigibilidade, tradição da marca e amplo nível de equipamentos para conquistar consumidores que ainda preferem motores a combustão potentes e comportamento dinâmico mais esportivo.
