A montadora chinesa Neta Auto, que já foi uma das promessas no mercado de carros elétricos, entrou em colapso nos últimos anos. Suas vendas despencaram de 152 mil unidades em 2022 para apenas 64,5 mil em 2024. Em janeiro de 2025, a situação ficou ainda mais crítica: só 110 veículos foram entregues no mercado doméstico, praticamente selando sua saída do setor.
A crise se agravou em maio, quando a agência Shanghai Yuxing Advertising pediu à Justiça a falência da Hozon New Energy, controladora da Neta, cobrando uma dívida de 5,31 milhões de yuan por serviços de publicidade. Na época, a Neta negou que estivesse falindo e afirmou que o processo era isolado, movido por um único fornecedor.

No entanto, os problemas financeiros da empresa já vinham se acumulando. Desde 2024, a Neta Auto enfrenta uma série de processos judiciais por inadimplência e dificuldades com fornecedores. A empresa demitiu mais de 2.900 funcionários — quase metade da equipe — e, segundo relatos, os salários estão atrasados desde novembro do mesmo ano.
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Mesmo após decisões judiciais favoráveis, muitos ex-funcionários não receberam o que lhes era devido. Em março de 2025, por exemplo, a Justiça conseguiu bloquear menos de 500 yuan (cerca de 70 dólares) em contas ligadas à empresa, o que indica a gravidade da situação financeira. Enquanto isso, outras empresas como a BYD Fang Cheng Bao revela novos modelos de SUV, mostrando um cenário bem diferente no mercado.
A pressão aumentou no dia 11 de junho, quando mais de 100 funcionários foram até a nova sede da Neta em Xangai cobrar os salários atrasados. Em um vídeo divulgado nas redes, eles confrontam o presidente da empresa, Fang Yunzhou, e ouvem de um representante que devem aguardar a falência ser oficializada.

Já no dia seguinte, 12 de junho, a empresa confirmou que iniciaria oficialmente o processo de reorganização judicial. A medida tenta evitar a falência definitiva, dando à Neta uma última chance de se reestruturar diante das dívidas acumuladas. A situação contrasta com a de outras empresas, como a Leapmotor, que expande operações para Hong Kong.
O episódio mais recente apenas confirma o colapso de uma companhia que, até pouco tempo atrás, era vista como uma estrela em ascensão no setor de carros elétricos. Agora, a Neta Auto luta para sobreviver em meio à perda de credibilidade, fuga de executivos e uma crise de caixa sem precedentes. Comparada a outras marcas que estão expandindo, como a BYD que acelera a expansão na África, a situação da Neta Auto parece crítica.
