O mercado brasileiro de carros elétricos ganhou uma disputa cada vez mais acirrada na faixa dos R$ 120 mil. De um lado, o recém-chegado Geely EX2 Pro. Do outro, o BYD Dolphin Mini, líder absoluto entre os elétricos no país. Os dois modelos miram quem quer entrar no universo dos elétricos sem gastar tanto, mas também chamam atenção de motoristas de aplicativo e taxistas pela promessa de economia no dia a dia.
Apesar do preço praticamente idêntico, os hatchs chineses seguem propostas diferentes. O Geely EX2 aposta em mais espaço interno, desempenho superior e maior capacidade de carga. Já o Dolphin Mini tenta conquistar o consumidor com acabamento mais refinado, equipamentos modernos e uma condução urbana mais confortável após as mudanças da linha 2026.
Custo benefício

Na tabela, ambos têm valores parecidos. O Geely EX2 Pro, que atualmente custa R$ 123.800, chegou ao mercado brasileiro com preço abaixo da versão Max da própria marca, que se aproxima dos R$ 135 mil. Já o Dolphin Mini, vendido por R$ 119.990, segue em versão única e passou recentemente por atualizações importantes para continuar competitivo em um segmento que cresce rapidamente no Brasil.
Os dois oferecem garantia de seis anos para o veículo e oito anos para a bateria, embora exista uma limitação importante para quem utiliza o carro comercialmente. Nessa condição, a cobertura cai para apenas dois anos. As revisões acontecem a cada 12 meses ou 20 mil quilômetros rodados, com custos relativamente baixos diante de modelos a combustão.
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Nos cinco primeiros anos de uso, o Geely EX2 exige cerca de R$ 3.245 em revisões programadas, enquanto o Dolphin Mini chega a R$ 3.856. A diferença existe, mas ainda assim os valores ficam abaixo da média de muitos carros tradicionais, principalmente porque veículos elétricos possuem menos componentes mecânicos sujeitos a desgaste.

O seguro, por outro lado, tende a pesar mais no bolso justamente pelo alto custo das baterias. No caso do IPVA, o valor varia conforme o estado. Em São Paulo, por exemplo, a cobrança gira em torno de R$ 4.800 para ambos, mas há regiões do país que oferecem descontos generosos ou até isenção total para veículos elétricos.
Visualmente, os dois seguem caminhos opostos. O Geely EX2 aposta em linhas mais discretas, com desenho minimalista e aparência próxima de um utilitário compacto. Já o Dolphin Mini tem traços mais modernos e urbanos, com lanternas interligadas, formato mais quadrado e uma identidade visual que chama mais atenção nas ruas.
Dimensões e autonomia
As diferenças ficam ainda mais evidentes nas dimensões. O EX2 mede 4,14 metros de comprimento, contra 3,78 metros do Dolphin Mini. Na prática, isso transforma o Geely em um carro mais espaçoso para passageiros e bagagens. O entre-eixos também favorece o EX2, que entrega uma cabine consideravelmente mais ampla.
O porta-malas deixa essa vantagem ainda mais clara. O Geely oferece 375 litros na traseira e ainda adiciona um compartimento dianteiro de 70 litros sob o capô, chegando a 445 litros no total. O Dolphin Mini entrega apenas 230 litros, capacidade parecida com a de compactos urbanos tradicionais. Nenhum dos dois traz estepe, apenas kit de reparo emergencial.
No conjunto elétrico, o EX2 também leva vantagem nos números. Sua bateria de 39,4 kWh rende autonomia de 289 quilômetros segundo o Inmetro. O Dolphin Mini possui bateria de 38 kWh e autonomia de 280 quilômetros. A diferença não é enorme, mas favorece o Geely tanto no alcance quanto na velocidade de recarga rápida.

Em carregadores rápidos, o EX2 aceita até 70 kW e recupera de 30% a 80% da bateria em cerca de 21 minutos. O Dolphin Mini suporta até 40 kW e leva aproximadamente meia hora para atingir a mesma carga. No uso doméstico, ambos gastam perto de R$ 30 para uma carga completa utilizando a tarifa média nacional de energia.
Interior e motorização
Por dentro, o Geely surpreende pelo espaço e pela sensação de cabine ampla. Passageiros traseiros viajam com bastante conforto, inclusive pessoas mais altas. Há saída de ar-condicionado, porta USB e diversos compartimentos internos. O acabamento usa bastante plástico, mas a montagem agrada e o visual é bem organizado.
O Dolphin Mini, mesmo menor, entrega um ambiente mais sofisticado. A BYD acertou na mistura de texturas e materiais, além de oferecer itens que fazem diferença no uso diário, como carregador de celular por indução, ajuste elétrico do banco do motorista e integração sem fio com Android Auto e Apple CarPlay, algo que o Geely não ofereceu na lançamento, mas agora está disponível no hatch elétrico.

Na segurança, ambos chegam bem equipados. Os dois trazem seis airbags, frenagem automática de emergência, piloto automático adaptativo, alerta de mudança de faixa e sensores traseiros. O Dolphin Mini melhorou bastante na linha 2026, principalmente no acerto da suspensão, corrigindo críticas importantes feitas nas primeiras unidades vendidas no Brasil.
Ao volante, o Geely EX2 entrega desempenho claramente superior. O motor traseiro de 116 cavalos garante acelerações mais rápidas e retomadas mais eficientes. O Dolphin Mini, com 75 cavalos, prioriza o conforto e o uso urbano.
Conclusão: qual é a melhor opção?
No fim, mesmo com a evolução do modelo da BYD, o EX2 acaba levando vantagem pelo conjunto mais equilibrado, espaço interno maior, porta-malas generoso e melhor desempenho, enquanto o Dolphin Mini segue forte como opção para quem valoriza acabamento, conectividade e praticidade no trânsito das grandes cidades.
