Resumo da Notícia
A volta de um modo de direção agressiva reacendeu o debate sobre segurança veicular e responsabilidade no trânsito. A fabricante Tesla, voltou ao centro das atenções com a reintrodução do chamado “Mad Max” — um perfil que permite aceleração mais intensa e ultrapassagens assertivas. O movimento ocorre em meio a uma série de investigações sobre os limites e riscos do sistema de direção assistida da montadora.
A National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA) confirmou nesta sexta-feira (24) que está em contato com a Tesla para obter informações detalhadas sobre a nova função. O modo opera em velocidades mais altas que as demais versões do Full Self-Driving (FSD), e tem sido amplamente comentado nas redes sociais por condutores que relatam manobras agressivas e ultrapassagens ousadas.

A agência destacou que, mesmo com o sistema ativado, o motorista permanece legalmente responsável pelo veículo e deve obedecer às leis de trânsito. Relatos apontam que carros em “Mad Max” foram vistos ziguezagueando, avançando sinais vermelhos e trafegando acima dos limites de velocidade. Para os reguladores, esse tipo de comportamento exige escrutínio rigoroso.
A investigação chega em um momento sensível. No início do mês, a NHTSA abriu um inquérito sobre 2,9 milhões de veículos Tesla com FSD, citando 58 ocorrências de possíveis violações de segurança, 14 acidentes e 23 feridos. Em seis casos, carros cruzaram sinais vermelhos e colidiram com outros veículos. Não é a primeira vez que a empresa enfrenta acusações semelhantes: em 2022, precisou desativar a “parada contínua”, recurso que infringia leis de trânsito.
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A Tesla não respondeu oficialmente ao novo inquérito, mas já havia descrito publicamente o modo Mad Max como capaz de acelerar e mudar de faixa com mais frequência e velocidade. Em postagens, a empresa chegou a chamá-lo de “modo perfeito para quem está com pressa”, comparando sua condução a de um carro esportivo. O nome, inspirado na franquia de filmes caóticos, também levantou questionamentos éticos e simbólicos.
O FSD, vale lembrar, não transforma o carro em um veículo autônomo. Trata-se de um sistema avançado de assistência, que exige supervisão ativa do motorista. Ainda assim, órgãos reguladores dos EUA e do estado da Califórnia vêm questionando como a Tesla promove e rotula suas tecnologias de direção — e se essa comunicação cria falsas expectativas de autonomia total.
A repercussão vai além do setor regulatório. Companhias de seguros acompanham de perto esses casos, já que tecnologias como o FSD alteram parâmetros de risco. Se ficar comprovado que o modo Mad Max induz comportamentos ilegais ou perigosos, seguradoras poderão rever suas políticas e redefinir responsabilidades entre condutores e fabricantes em acidentes envolvendo condução semiautônoma.
Reguladores europeus e canadenses, por exemplo, já impõem limites mais rígidos a mudanças de faixa automatizadas, adotando uma abordagem preventiva. Os EUA, ao contrário, costumam agir de forma reativa — analisando e punindo após incidentes. Isso aumenta a incerteza jurídica e regulatória para fabricantes e seguradoras.
No centro da discussão está uma questão-chave: quem responde quando uma tecnologia estimula uma direção perigosa? A Tesla afirma que cabe ao condutor manter o controle, mas a pressão sobre a NHTSA para definir regras mais claras cresce. O desfecho do caso “Mad Max” pode influenciar todo o setor de direção assistida e acelerar mudanças regulatórias no país.
Enquanto isso, Elon Musk mantém sua postura provocadora, reforçando a imagem de uma marca que desafia normas e acelera inovações — às vezes no limite da legalidade. A tensão entre inovação tecnológica e responsabilidade no trânsito, mais uma vez, está no centro do palco.
