Crise dos chips volta a ameaçar fábricas da Volkswagen e Stellantis

Guerra diplomática entre Holanda e China por controle da Nexperia preocupa montadoras europeias, como a Volkswagen
Crise dos chips volta a ameaçar fábricas da Volkswagen e Stellantis
Crédito da imagem: Volkswagen

Resumo da Notícia

  • A indústria automotiva global vive dias de tensão com o retorno do fantasma da escassez de semicondutores, problema que já havia paralisado fábricas durante a pandemia.
  • Em setembro, o governo holandês assumiu o controle da Nexperia, fabricante de chips de capital chinês, alegando “falhas de governança” e risco de transferência de tecnologia sensível à controladora Wingtech, da China.
  • O impacto foi imediato, Volkswagen e Stellantis já relatam dificuldades no fornecimento e montaram equipes de crise para monitorar o cenário.
  • A diretora-geral da ACEA, Sigrid de Vries, declarou que “faltam apenas dias” para que a falta de componentes chegue às fábricas europeias.
  • Nos bastidores, o conflito cresceu após os Estados Unidos incluírem a Wingtech em lista de restrições comerciais.
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A indústria automotiva global vive dias de tensão com o retorno do fantasma da escassez de semicondutores, problema que já havia paralisado fábricas durante a pandemia. O alerta agora vem da Associação Europeia dos Fabricantes de Automóveis (ACEA), que prevê interrupções nas linhas de produção nas próximas semanas, reacendendo temores de uma nova crise mundial no setor.

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A raiz do problema está em uma disputa entre governos e empresas. Em setembro, o governo holandês assumiu o controle da Nexperia, fabricante de chips de capital chinês, alegando “falhas de governança” e risco de transferência de tecnologia sensível à controladora Wingtech, da China. Como reação, Pequim bloqueou exportações de semicondutores produzidos pela empresa em seu território, atingindo diretamente as montadoras que operam com estoques limitados.

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O impacto foi imediato, Volkswagen e Stellantis já relatam dificuldades no fornecimento e montaram equipes de crise para monitorar o cenário. A Volkswagen, segundo o jornal alemão Bild, estuda suspender temporariamente a produção de modelos como Golf e Tiguan em Wolfsburg, enquanto a Stellantis montou uma “sala de guerra” para administrar os riscos.

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A diretora-geral da ACEA, Sigrid de Vries, declarou que “faltam apenas dias” para que a falta de componentes chegue às fábricas europeias. Ela pediu “urgência de todas as partes envolvidas”, destacando que a origem da crise é mais política do que produtiva, diferentemente do colapso logístico ocorrido durante a pandemia.

Nos bastidores, o conflito cresceu após os Estados Unidos incluírem a Wingtech em lista de restrições comerciais. A China respondeu restringindo exportações de produtos essenciais à Europa, o que agravou o desequilíbrio global na cadeia de suprimentos. Analistas já falam em risco de queda de até 20% na produção mundial de veículos até o fim do ano se o bloqueio persistir.

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As consequências práticas começam a aparecer. Montadoras cogitam reduzir turnos, realocar chips entre fábricas e priorizar modelos mais lucrativos. O preço de componentes básicos subiu rapidamente — semicondutores que custavam centavos passaram a valer vários yuans em questão de dias. Segundo a Reuters, há relatos de interrupções pontuais também em fábricas da Honda nos Estados Unidos.

No Brasil, o governo federal tenta evitar que a crise afete o país. O vice-presidente Geraldo Alckmin reuniu-se com representantes da Anfavea e Sindipeças para discutir o tema. O MDIC iniciou diálogo diplomático com a China, pedindo a exclusão do Brasil das restrições de exportação da Nexperia. “Se nada for resolvido em até três semanas, a produção nacional poderá parar”, alertou o secretário Uallace Moreira.

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Crédito da imagem: Volkswagen

Segundo o ministério, a Nexperia fornece cerca de 40% dos chips usados na indústria automotiva brasileira, o que torna o país vulnerável. O governo estuda garantir que as unidades brasileiras utilizem os chips apenas no mercado interno, evitando triangulações com matrizes estrangeiras.

Apesar dos esforços, não há alternativas imediatas. A produção de semicondutores envolve contratos de longo prazo e tecnologia altamente específica. “Não se substitui um fornecedor da noite para o dia”, admitiu Moreira. Com isso, a indústria global volta a segurar a respiração, à espera de uma solução diplomática que impeça o retorno de um pesadelo que o setor acreditava ter superado.

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