Chevrolet Tracker 2026 cobra mais, entrega o mesmo — e ainda subestima o consumidor

O consumidor já entendeu isso, e as redes sociais deixam claro que a paciência está no limite.
Chevrolet Tracker 2026 estreia em julho com visual renovado e mais tecnologia
Crédito da imagem: Chevrolet
Continua após a publicidade

A Chevrolet lançou a linha 2026 do Tracker no Brasil tentando equilibrar o jogo entre preço, aparência e conectividade. Mas o que se viu, na prática, foi um movimento previsível de reestilização cosmética que, embora traga bons retoques no visual e um toque mais refinado ao interior, não resolve o que realmente importa: o conjunto mecânico envelhecido, o custo-benefício que praticamente não existe e a crescente percepção do consumidor de que está pagando demais por muito pouco.

Continua após a publicidade

A dianteira foi redesenhada com faróis divididos e DRL em LED no topo, além de nova grade estilo colmeia, agora maior e mais agressiva — uma tentativa clara de manter o Tracker atualizado frente à linguagem visual da Montana e do Equinox. O facelift agrada à primeira vista, mas a traseira manteve o ponto mais criticado pelos consumidores: a posição da placa no para-choques, que destoa da proposta “premium” das versões mais caras e reforça o ar de SUV de entrada.

Por dentro, a boa notícia é a nova central multimídia de 11” integrada ao painel digital de 8”, ambos inclinados para o motorista, como já visto na nova Spin. O acabamento também subiu de nível, com materiais mais agradáveis ao toque e bancos melhor estruturados. Tudo bem pensado — mas não suficiente para justificar os R$ 190.590 cobrados pela versão RS.

Continua após a publicidade

Por que tanto por tão pouco?

Esse é o grande ponto: o preço. A linha 2026 do Tracker começa em R$ 119.990 e vai até absurdos R$ 190.590. Isso, por um SUV com motor 1.2 turbo de 141 cv — o mesmo que equipa o modelo há anos, sem nenhuma mudança real no desempenho. Nem sequer um sistema híbrido leve (MHEV), anunciado há meses, foi incluído agora. A promessa fica para 2025.

Enquanto isso, concorrentes diretos como o Haval H6 híbrido, Ford Territory com motor turbo 1.5 de 170 cv, e até o Jeep Compass T270 com 185 cv — todos por volta dos R$ 200 mil — já entregam muito mais. Em tecnologia, espaço e powertrain.

O mercado percebe — e reage

Nas redes sociais, a recepção do novo Tracker foi marcada por ceticismo, ironia e rejeição de preço. Comentários como “190k numa Tracker é f.od@”, ou “Motor feito de latinha reciclada” sintetizam o incômodo crescente de consumidores que já não aceitam pagar caro por um SUV sem grande evolução técnica.

Outro ponto recorrente de crítica é o acabamento traseiro. A posição da placa segue no para-choques, o que para muitos reforça a sensação de um produto “inacabado” ou com decisões de design mal resolvidas. Não à toa, frases como Só mudam a maquiagem e empurram goela abaixo tornaram-se comuns em fóruns e canais automotivos.

Onde o Tracker ainda perde

O motor 1.0 turbo (121 cv) nas versões de entrada e o 1.2 turbo (141 cv) nas versões RS e Premier continuam com o mesmo câmbio automático de 6 marchas. Embora eficientes no consumo urbano, ambos os conjuntos não entregam performance condizente com os preços cobrados — especialmente em estrada ou com o carro carregado.

Além disso, a ausência de tração integral, nenhuma opção híbrida real, e estrutura de suspensão mais voltada ao conforto urbano tiram o Tracker da disputa com SUVs médios ou modelos eletrificados, mesmo que o preço esteja se aproximando perigosamente dessa faixa.

Mas o consumidor vai comprar?

Infelizmente, sim. E isso a Chevrolet sabe. O Tracker ainda figura entre os primeiros no quesito SUV compactos e, com esse facelift, deve ganhar algum fôlego nas concessionárias. Em 2025, o modelo fica atrás de T-Cross, HR-V e Creta, mas mantém boa presença graças ao histórico confiável e pacotes de conectividade como OnStar e app MyChevrolet, que agora inclui o “acompanhamento seguro”.

Mas convenhamos: isso não é mais diferencial. É obrigação.

A Chevrolet promete a chegada da tecnologia MHEV (híbrido leve) em 2025, possivelmente aproveitando o sistema do Monza chinês. Mas vale lembrar: esse tipo de sistema não movimenta o carro sozinho, serve apenas como auxílio para o motor a combustão. Ou seja, não muda o desempenho nem resolve a defasagem tecnológica do Tracker frente aos novos híbridos que vêm dominando o mercado.

A linha 2026 é um tapa na maquiagem — mas nada muda de verdade

O Chevrolet Tracker 2026 entrega boas melhorias visuais e um interior mais atualizado. Mas segue devendo em performance, inovação e preço justo. O consumidor já entendeu isso — e as redes sociais deixam claro que a paciência está no limite.

Na prática, o Tracker está mais caro, com o mesmo motor, e ainda subestima o brasileiro.

Continua após a publicidade

Deixe um comentário

Seu e‑mail não será publicado.