Resumo da Notícia
O mercado de carros elétricos nos Estados Unidos vive uma curiosa contradição: enquanto as vendas de modelos novos tendem a desacelerar com o fim dos incentivos federais de até US$ 7.500 (cerca de R$ 40 mil), os usados nunca estiveram tão valorizados.
Os números da consultoria Cox Automotive mostram que, no primeiro semestre de 2025, a comercialização de elétricos seminovos cresceu 34% em relação ao ano anterior, superando até mesmo a procura por veículos a combustão.

Um dos fatores que impulsionam esse movimento é o preço, em agosto, o valor médio de um elétrico usado chegou a US$ 34.700 (R$ 185,4 mil), praticamente igual ao de carros a gasolina de mesmo porte. A diferença é que, enquanto um veículo a combustão usado costuma ter seis ou sete anos de estrada, os elétricos disponíveis no mercado são bem mais novos, geralmente com dois ou três anos de uso.
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A queda nos preços é reflexo de uma desvalorização acelerada, o exemplo mais emblemático é o de um Ford Mustang Mach-E GT: vendido zero-km em 2024 por cerca de US$ 55 mil (R$ 294 mil), pode hoje ser encontrado por US$ 33 mil (R$ 176 mil). Essa rápida perda de valor abriu espaço para consumidores como Jeff Craig, aposentado da área imobiliária, que adquiriu um modelo seminovo por menos de dois terços do preço inicial.
A confiança do público em veículos elétricos usados também vem aumentando. Segundo Liz Najman, analista da Recurrent, especializada em dados sobre autonomia e baterias, “era apenas uma questão de tempo até que as pessoas percebessem que um elétrico de três anos ainda entrega boa autonomia, recarga rápida e todos os recursos de um carro moderno”. Isso reduziu o receio de enfrentar problemas de durabilidade.
Outro ponto central é a expansão da oferta, onde muitos dos contratos de leasing firmados em 2022 estão chegando ao fim, liberando para o mercado modelos que estrearam naquele ano, como o BMW i4, o Cadillac Lyriq, o Ford F-150 Lightning e o Toyota bZ4X. Com mais variedade e preços em queda, a compra de elétricos deixou de ser vista como um privilégio restrito a consumidores de maior renda.
Nos Estados Unidos, um Toyota RAV4 a combustão de dois anos sai em média por US$ 31.100 (R$ 166,2 mil), enquanto o elétrico bZ4X, do mesmo período, pode ser encontrado por cerca de US$ 6.600 (R$ 35,2 mil) a menos. Além da economia na compra, o modelo movido a bateria acelera mais rápido, tem tela maior e não exige trocas periódicas de óleo ou correias.
Esse cenário pode representar um ponto de virada no mercado, onde os especialistas acreditam que, em breve, os americanos comprarão mais elétricos usados do que novos, repetindo o padrão que já existe há décadas entre veículos a combustão. Com mais de 240 mil unidades devendo retornar de contratos de leasing até 2026, o estoque de elétricos de segunda mão deve crescer ainda mais — e consolidar essa tendência.
