A BYD, uma das maiores fabricantes de veículos elétricos do mundo, está reduzindo o ritmo de produção em suas fábricas na China. A medida foi tomada após o crescimento das vendas desacelerar, gerando acúmulo de veículos nos estoques das concessionárias, mesmo com cortes agressivos de preços nos últimos meses.
De acordo com fontes internas, a empresa suspendeu planos de expansão de linhas de montagem e cortou turnos noturnos em ao menos quatro fábricas. Em algumas unidades, a produção caiu cerca de um terço da capacidade total. A decisão, segundo relatos, tem como objetivo conter custos e lidar com metas de vendas não atingidas.

Entre janeiro e maio de 2025, a BYD vendeu 1,76 milhão de veículos de nova energia (NEVs), um crescimento de 38,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Apesar do bom desempenho, o aumento já é bem menor do que o registrado entre 2021 e 2023, quando os percentuais ultrapassaram 200% ao ano.
Esse cenário pressionou os estoques: entre janeiro e abril, as concessionárias acumularam cerca de 150 mil carros parados, o equivalente a meio mês de vendas no varejo. Segundo o Deutsche Bank, esse número levou a empresa a ampliar os descontos para tentar acelerar as vendas e limpar os pátios.
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Um levantamento da Associação de Concessionários da China (CADA) mostrou que a BYD tinha, em maio, o maior nível médio de estoque entre todas as marcas: 3,21 meses. A média do setor era bem menor, de 1,38 meses. Com isso, a empresa corre risco de desgastar a rede de revendedores.
O impacto já é visível. Uma grande concessionária da BYD na província de Shandong declarou falência, deixando ao menos 20 lojas fechadas ou abandonadas, conforme divulgado pela mídia estatal chinesa no mês passado.
Mesmo com os desafios internos, a BYD continua investindo fora da China. Um exemplo é o recente anúncio de fornecimento de aço da austríaca Voestalpine para sua nova fábrica de carros na Hungria. A medida mostra que a marca segue com planos de expansão internacional.
Além disso, a BYD também está apostando na inovação com veículos de alto desempenho. O supercarro elétrico Yangwang U9, por exemplo, retornará ao circuito alemão de Nürburgring para tentar bater novos recordes de velocidade e desempenho.
O ambiente competitivo no setor também está mais acirrado. Após os cortes da BYD, outras montadoras chinesas entraram em uma guerra de preços para não perder mercado. Ao mesmo tempo, empresas como a FAW Hongqi investem em alternativas como veículos com célula de hidrogênio.
Apesar das dificuldades, a BYD ainda mantém sua meta de vender 5,5 milhões de carros em 2025, o que representaria um crescimento de quase 30% em relação ao ano passado. O desafio agora é manter esse ritmo sem sobrecarregar a cadeia de produção e distribuição.
