Resumo da Notícia
A rápida expansão da BYD na Austrália, marcada pela chegada do SUV Atto 3 há poucos anos e a estreia recente do Shark 6, acaba de enfrentar um dos maiores testes de imagem da montadora no país. A marca, que vinha surfando uma onda de crescimento acelerado e planos ambiciosos de novos lançamentos, se vê agora no centro de uma polêmica que combina ilegalidade, logística e pressão pública.
A crise estourou quando moradores e veículos de imprensa revelaram que mais de 1.600 carros da BYD estavam sendo armazenados de forma irregular no Jamberoo Action Park, a cerca de 120 km ao sul de Sydney. O espaço, tradicionalmente usado como estacionamento de visitantes no verão, foi tomado por modelos Shark 6, Sealion 6, Sealion 7 e Seal, transformando o local em um enorme pátio improvisado de veículos.

A situação ganhou contornos oficiais quando o Kiama Municipal Council confirmou que a montadora não havia obtido aprovação para utilizar a área como centro logístico. A empresa responsável pelo parque entrou com um pedido de Ação de Desenvolvimento (DA), mas enquanto o processo é analisado, o uso do espaço para armazenamento permanece ilegal.
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A revelação, feita com exclusividade pela imprensa local, gerou uma avalanche de críticas nas redes sociais. Centenas de australianos exigiram medidas rígidas contra a BYD e os donos do parque, chamando a prática de “uso flagrantemente ilegal” e um desrespeito claro às regras de zoneamento. “O estacionamento é para visitantes durante o dia, não um depósito de longo prazo”, reclamou um morador.
Embora seja comum que montadoras utilizem espaços temporários para estocar carros, o tamanho da operação chamou atenção das autoridades. Pior ainda: a movimentação começou sem qualquer aval oficial, com os veículos sendo transportados diretamente do terminal de Port Kembla para o parque aquático, fechado durante o inverno.
Com a pressão crescendo, o conselho municipal emitiu um aviso de conformidade ao proprietário, exigindo o fim imediato do uso irregular. A BYD, por sua vez, declarou que as operações logísticas na região são conduzidas por um parceiro terceirizado, embora não tenha revelado quem é. A montadora tenta se distanciar da polêmica, mas a repercussão já é ampla.

O episódio chega em um momento sensível para a BYD, que enfrenta concorrência acirrada de outras marcas chinesas no mercado australiano — inclusive tendo sido superada nas vendas este ano pela GWM. A imagem de uma empresa que crescia rapidamente e ganhava espaço entre os consumidores agora convive com a acusação de ter ignorado as regras locais em busca de conveniência logística.
