A Audi está testando o uso de inteligência artificial e robótica no processo de separação de peças (chamado picking) dentro da fábrica de Böllinger Höfe, onde são produzidos veículos como o Audi e-tron GT. A ideia é tornar a produção mais eficiente e aliviar o esforço físico dos funcionários.
Esses testes acontecem em parceria com os institutos Fraunhofer, dentro de um laboratório que simula o ambiente real da linha de montagem. O projeto busca soluções práticas, aplicando IA, sensores e robôs móveis para apoiar o trabalho humano, especialmente em processos mais exigentes e repetitivos.
A grande novidade está na forma como os testes são conduzidos. Funcionários usam óculos inteligentes com câmeras infravermelhas que registram para onde eles olham, a movimentação dos olhos e o esforço mental envolvido nas tarefas. Com esses dados, é possível identificar os pontos mais críticos do processo.
Alexander Müller, responsável pela logística da Audi Sport, explica que o ambiente de produção em Böllinger Höfe é ideal para esses experimentos, já que cada carro é altamente personalizado — o que torna o picking ainda mais desafiador.
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Pedidos reais de carros estão sendo usados nos testes para tornar os cenários o mais realistas possível. Assim, os especialistas conseguem ajustar as tecnologias de acordo com as necessidades do dia a dia da fábrica, com participação direta dos funcionários.
A Audi também avalia o uso de visão computacional para auxiliar na identificação de peças e reduzir erros. Robôs com sensores 3D e pinças são testados para ajudar a separar e transportar os itens, sempre em colaboração com os operadores humanos.
Antes mesmo dos testes, foi feita uma análise detalhada para entender quais áreas poderiam ser mais beneficiadas com a automação. Isso garante que os investimentos em tecnologia realmente tragam ganhos no chão de fábrica.
O projeto faz parte da estratégia chamada 360factory, que visa tornar a produção mais digital, flexível e sustentável. Tudo isso está inserido na iniciativa AI25, criada pela Audi junto com parceiros da ciência e da tecnologia para acelerar a transformação digital na indústria automotiva.
Bernd Bienzeisler, do Instituto Fraunhofer IAO, destaca que essa colaboração entre indústria e ciência abre caminho para novas formas de trabalho, unindo pesquisa e prática em tempo real.
Por fim, essa iniciativa também se conecta a um ecossistema maior de inovação que está se formando na região de Heilbronn, onde fica o Innovation Park for Artificial Intelligence (IPAI), reforçando a posição da Alemanha como polo tecnológico na área de IA aplicada à indústria.
