Resumo da Notícia
A Volkswagen decidiu transformar a futura Tukan em um dos projetos mais ambiciosos de sua história recente no Brasil. A inédita picape intermediária chegará ao mercado em 2027 para disputar espaço em uma das categorias que mais crescem no país, hoje dominada por modelos como Fiat Toro e Chevrolet Montana. Mais do que um novo veículo, a Tukan representa a entrada da marca em um território onde ela ainda não atuava de forma direta.
A primeira aparição pública da picape aconteceu no Rio de Janeiro, durante o evento da convocação da Seleção Brasileira comandada por Carlo Ancelotti. Ainda coberta por camuflagem inspirada nas cores nacionais, a Tukan surgiu nos arredores do Museu do Amanhã cercada por forte clima de Copa do Mundo, estratégia usada pela Volkswagen para ligar a novidade à imagem da seleção.
Mesmo escondendo boa parte da carroceria, o protótipo deixou escapar detalhes importantes. A dianteira traz linhas próximas dos SUVs mais recentes da fabricante, especialmente Nivus e T-Cross, enquanto a traseira apareceu praticamente sem disfarces. O nome “Tukan” estampado em relevo na tampa da caçamba chamou atenção por ser uma solução inédita em um carro nacional da marca.

A picape será produzida em São José dos Pinhais, no Paraná, e terá cerca de 76% de peças nacionais. O modelo integra o plano de 21 lançamentos da Volkswagen para a América Latina até 2028 e surge como peça-chave da nova estratégia industrial da fabricante. A empresa também confirmou que a Tukan será o primeiro veículo eletrificado produzido pela marca no Brasil.
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Debaixo da carroceria, a novidade utilizará uma evolução inédita da plataforma MQB A0, arquitetura já conhecida em modelos como Polo, Virtus, T-Cross e Nivus. Porém, a estrutura recebeu alterações profundas da coluna central para trás, justamente para suportar carga elevada, uso severo e maior resistência em estradas rurais e aplicações no agronegócio.
A Volkswagen confirmou ainda que a Tukan será a primeira picape da marca no mundo construída sobre a base MQB. Para isso, o conjunto traseiro abandonará o tradicional eixo de torção dos SUVs compactos e passará a utilizar eixo rígido com feixe de molas semielípticas. A solução lembra picapes de trabalho e prioriza robustez, estabilidade e capacidade de carga.
Segundo pessoas ligadas ao projeto, a nova arquitetura também permitiu ampliar significativamente o entre-eixos. A expectativa é de que a Tukan tenha algo próximo de 2,70 metros, superando até o Virtus. O objetivo é oferecer mais espaço interno e criar um equilíbrio entre conforto de utilitário esportivo e versatilidade de uma picape voltada tanto ao lazer quanto ao trabalho.
O foco no uso rural não ficou apenas no discurso da montadora. Durante o desenvolvimento, unidades pré-série foram entregues para produtores rurais realizarem testes em fazendas e estradas de terra. A Volkswagen quer aproximar a Tukan de consumidores que hoje movimentam boa parte do segmento de picapes no interior do Brasil.
Na parte mecânica, a principal novidade será o conjunto híbrido leve de 48 volts combinado ao motor 1.5 turbo TSI Evo2 de ciclo Miller. O sistema deverá entregar potência próxima dos 150 cavalos e cerca de 25 kgfm de torque. O conjunto trabalhará junto ao câmbio DSG automatizado de dupla embreagem com sete marchas.
Embora o sistema eletrificado não mova a picape sozinho, a proposta é reduzir emissões de poluentes, melhorar consumo e diminuir o atraso nas respostas do turbo. O conjunto utilizará gerador elétrico integrado e turbina de geometria variável para otimizar acelerações e aliviar o esforço do motor a combustão em situações de maior carga.
Além da configuração híbrida leve, versões mais acessíveis devem utilizar o motor 1.0 turbo 200 TSI de 128 cavalos, enquanto variantes intermediárias podem manter o conhecido 1.4 turbo 250 TSI com câmbio automático de seis velocidades. Há ainda rumores sobre uma opção 1.6 aspirada voltada ao trabalho pesado e frotistas.
A expectativa é de que a Tukan suporte mais de 700 quilos de carga útil, posicionando-se exatamente entre as compactas e médias. Dessa forma, ficará acima da Saveiro, que continuará em linha inicialmente, e abaixo da Amarok. A Volkswagen aposta que esse espaço intermediário será um dos mais rentáveis da indústria nos próximos anos.
Hoje, as picapes representam quase um quinto de todas as vendas de veículos no Brasil, cenário que ajudou a acelerar o desenvolvimento da Tukan. A estratégia comercial prevê intensificar a divulgação até a Copa do Mundo de 2026 e manter o modelo constantemente em evidência até sua estreia oficial, prevista para o primeiro semestre de 2027.
