Resumo da Notícia
O mercado brasileiro de veículos eletrificados começou a ganhar um novo capítulo com a chegada do BYD Atto 8, utilitário esportivo híbrido plug-in de sete lugares que estreia nas concessionárias carregando a proposta de unir desempenho elevado, autonomia extensa e uma lista de equipamentos que coloca o modelo entre os mais tecnológicos já lançados pela fabricante chinesa no país. Depois de aparecer publicamente no Salão do Automóvel de São Paulo, o modelo agora desembarca oficialmente mirando famílias grandes e consumidores que desejam viajar longas distâncias sem depender exclusivamente de pontos de recarga elétrica.
A estratégia da marca com o Atto 8 é diferente daquela utilizada em modelos totalmente elétricos. Enquanto o Tan aposta exclusivamente na propulsão elétrica, o novo utilitário utiliza um sistema híbrido plug-in pensado justamente para ampliar a flexibilidade no uso diário. Isso significa que o motorista pode rodar no modo elétrico durante boa parte do tempo, mas ainda contar com um motor a combustão para viagens mais longas ou regiões onde a infraestrutura de carregamento ainda é limitada.
O conjunto mecânico também marca a estreia da tecnologia DMP, sigla para Dual Mode Performance, no mercado brasileiro. Diferente do sistema DMI, utilizado em modelos focados em eficiência energética, ou do DMO presente na picape Shark com proposta fora de estrada, o DMP foi criado para privilegiar desempenho. A ideia da fabricante foi desenvolver um veículo capaz de entregar acelerações rápidas e força abundante mesmo tratando-se de um utilitário de grandes dimensões.

Barueri, SP
Por trás dessa proposta estão três motores trabalhando em conjunto. O BYD Atto 8 utiliza um motor 1.5 turbo a gasolina de injeção direta, instalado transversalmente na dianteira, acompanhado por dois motores elétricos, um em cada eixo. O propulsor dianteiro elétrico entrega 271 cavalos e 315 Nm de torque, enquanto o traseiro gera outros 271 cavalos e 360 Nm. Já o motor a combustão atua principalmente como gerador de energia, embora também possa auxiliar na tração em determinadas situações.
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Mesmo pesando cerca de 2.650 quilos em ordem de marcha, o utilitário impressiona pelos números. Segundo a fabricante, o modelo acelera de 0 a 100 km/h em apenas 4,9 segundos e alcança velocidade máxima de 200 km/h, marca acima da média entre eletrificados disponíveis no Brasil. O torque combinado chega a expressivos 675 Nm, o equivalente a quase 68 kgfm, garantindo respostas rápidas mesmo em retomadas ou ultrapassagens.
Curiosamente, a potência combinada declarada pela fabricante é de 488 cavalos, número inferior à soma individual dos motores elétricos. A diferença chamou atenção durante a apresentação do veículo e ainda gera questionamentos sobre a metodologia utilizada pela empresa para homologação da potência total do sistema híbrido. Ainda assim, na prática, o foco principal do conjunto parece ser entregar aceleração consistente sem abrir mão de conforto em viagens.
O porte do Atto 8 reforça essa proposta de veículo familiar de alto padrão. São 5,04 metros de comprimento, entre-eixos de 2,95 metros, largura próxima de dois metros e altura de 1,76 metro. As dimensões generosas ajudam a explicar o amplo espaço interno e também o posicionamento do modelo em uma faixa mais premium dentro da linha da fabricante chinesa.
A suspensão utiliza um conjunto sofisticado, com sistema duplo A na dianteira e multilink independente na traseira. Além disso, os amortecedores contam com controle eletrônico, permitindo ajustes voltados tanto ao conforto quanto à dirigibilidade mais esportiva. Essas alterações podem ser feitas diretamente pela central multimídia, adaptando o comportamento do carro conforme o tipo de uso ou preferência do motorista.
As rodas de 21 polegadas chamam atenção logo de início e reforçam o visual robusto do utilitário. Os pneus largos de perfil 45 ajudam na estabilidade, embora exijam cuidado maior em vias esburacadas. O sistema de freios acompanha a proposta esportiva do modelo, utilizando discos ventilados e perfurados nas quatro rodas para melhorar dissipação de calor e eficiência em frenagens intensas.
Na parte elétrica, o BYD Atto 8 também traz avanços relevantes. A bateria Blade de 35,6 kWh utiliza a conhecida tecnologia de fosfato de ferro-lítio da fabricante e fica instalada sob o assoalho. Segundo os dados homologados pelo Inmetro, o utilitário pode rodar até 111 quilômetros em modo totalmente elétrico, embora a expectativa em uso real seja próxima de 130 ou até 140 quilômetros dependendo das condições de condução.
Quando a carga elétrica se aproxima do fim, o sistema híbrido passa a utilizar o motor a combustão para ampliar a autonomia. Com tanque de 60 litros e médias estimadas em torno de 11 km/l, o alcance combinado pode chegar próximo dos 800 quilômetros somando combustível e bateria carregada. É justamente esse cenário que faz o modelo surgir como alternativa para quem deseja eletrificação sem abrir mão da praticidade em viagens.
Outro ponto que diferencia o BYD Atto 8 entre híbridos plug-in vendidos no Brasil está no carregamento. O modelo aceita recarga trifásica em corrente alternada com potência próxima de 11 kW, algo ainda raro entre veículos chineses disponíveis no mercado nacional. Em corrente contínua, a fabricante afirma que o sistema suporta até 72 kW, potência superior à maioria dos híbridos plug-in rivais.
O pacote de assistência à condução também aparece entre os mais completos da marca no país. O conjunto utiliza radares e câmeras para oferecer frenagem automática de emergência, alerta de colisão frontal, controle de cruzeiro adaptativo com função de parada e retomada, permanência em faixa, centralização automática e monitoramento de ponto cego. Há ainda alerta de tráfego cruzado traseiro e aviso para abertura de portas em situações de aproximação de veículos.
Em manobras, o utilitário utiliza câmera de visão 360 graus acompanhada por oito sensores ultrassônicos distribuídos ao redor da carroceria. O sistema facilita estacionamentos e melhora a percepção do motorista em espaços apertados. Apesar disso, o modelo não oferece estacionamento automático, ausência percebida em um veículo posicionado em faixa de preço mais elevada.
A iluminação totalmente em LED reforça o visual tecnológico do modelo. Na dianteira, o destaque fica para os faróis com função de curva, que direcionam a iluminação conforme o movimento realizado pelo motorista. Há ainda farol alto automático e ajuste eletrônico de altura do feixe luminoso, ampliando conforto e segurança em viagens noturnas.
Na traseira, o Atto 8 aposta em uma assinatura luminosa que atravessa toda a tampa do porta-malas. Os elementos internos em diferentes níveis criam um efeito tridimensional bastante marcante. As setas sequenciais em LED complementam o conjunto visual, enquanto o farol de neblina traseiro pode ser ativado diretamente pela central multimídia.
O utilitário também chama atenção pela capacidade de reboque. O modelo já sai de fábrica preparado para receber engate traseiro e suporta até 750 quilos sem freio auxiliar ou até duas toneladas com reboque equipado com freio independente. Trata-se de uma capacidade bastante elevada para os padrões brasileiros entre veículos eletrificados.
No porta-malas, a fabricante declara capacidade de 270 litros com os sete bancos em uso. Quando a terceira fileira é rebatida, o espaço aumenta significativamente e pode chegar a 960 litros considerando a medição até o teto. O compartimento ainda traz tomada 12 volts, iluminação em LED, áreas para organização de objetos e soluções modulares para diferentes configurações de passageiros e bagagens.
A modularidade interna é um dos pontos fortes do projeto. Os bancos permitem diferentes combinações para transportar cinco, seis ou sete ocupantes, além de possibilitar espaço extra para objetos maiores. A segunda fileira utiliza trilhos deslizantes e encostos reclináveis, permitindo distribuir melhor o espaço entre os passageiros da segunda e terceira fileiras.

Barueri, SP
Quem viaja na segunda fileira encontra um nível de conforto pouco comum na categoria. Os assentos possuem ventilação, aquecimento e até função de massagem com diferentes programas de intensidade. Há ainda controle independente do ar-condicionado, iluminação ambiente, portas USB tipo A e tipo C, além de comandos que permitem ajustar o banco dianteiro do passageiro diretamente da parte traseira.
O espaço interno é favorecido pelo entre-eixos generoso. Mesmo com os bancos ajustados para abrir espaço à terceira fileira, os passageiros da segunda fila conseguem viajar com conforto considerável. O sistema de acesso aos bancos traseiros também foi pensado para facilitar entrada e saída, especialmente em viagens familiares.
Na terceira fileira, o espaço é suficiente para adultos em deslocamentos curtos, embora o conforto seja mais adequado para crianças e adolescentes em viagens longas. Os ocupantes contam com saídas de ar no teto, iluminação individual em LED e porta-objetos laterais, mas sem tomadas específicas para carregamento de aparelhos eletrônicos.
O acabamento interno reforça a tentativa da fabricante de aproximar o Atto 8 de modelos premium tradicionais. Há superfícies revestidas com materiais que imitam couro acolchoado, plásticos de textura suave ao toque e detalhes que lembram utilitários esportivos alemães de categorias superiores. A sensação geral dentro da cabine é de sofisticação elevada para o segmento.
Os bancos dianteiros oferecem ajustes elétricos amplos, memória de posição e extensão do apoio para pernas. O sistema de massagem também aparece na frente, acompanhado de carregador de celular por indução com ventilação, console flutuante, tomadas USB, entrada para cartão microSD e uma central multimídia que concentra praticamente todos os comandos do veículo.
Combinando desempenho forte, autonomia elevada, interior espaçoso e um pacote tecnológico extremamente abrangente, o Atto 8 chega ao mercado brasileiro como uma das apostas mais ambiciosas da BYD no segmento de utilitários híbridos plug-in. O modelo tenta ocupar justamente o espaço entre consumidores que desejam experimentar a eletrificação, mas ainda não estão prontos para depender exclusivamente de um carro totalmente elétrico.
