Resumo da Notícia
O mercado brasileiro de carros elétricos vive um momento que parecia improvável há poucos anos. O Geely EX2 virou exemplo disso ao enfrentar filas de espera de até 45 dias em algumas concessionárias, mostrando que o consumidor brasileiro finalmente passou a enxergar os compactos elétricos chineses como uma alternativa real aos modelos tradicionais a combustão.
O sucesso do utilitário esportivo compacto não aconteceu por acaso. A combinação entre preço competitivo, boa lista de equipamentos, espaço interno generoso e baixo custo de uso colocou o modelo em uma posição estratégica no mercado, exatamente entre os hatchs compactos mais completos e os elétricos mais caros vendidos atualmente no Brasil.
Em cidades como São Paulo, o primeiro lote praticamente esgotou rapidamente. Algumas lojas ainda conseguem oferecer unidades da versão Max na cor cinza com entrega imediata, mas a maioria dos compradores precisa entrar em fila de espera. A procura surpreendeu até mesmo o mercado, especialmente por se tratar de uma marca chinesa ainda em fase de expansão no país.

O desenho do EX2 também ajuda a explicar o interesse do público. O modelo aposta em linhas arredondadas, visual simpático e uma identidade própria que foge do padrão genérico visto em muitos elétricos atuais. Os faróis em LED, a grade praticamente fechada e os detalhes cromados reforçam a aparência moderna do carro sem exageros visuais.
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A versão Max adiciona rodas diamantadas de 16 polegadas, teto pintado em preto, câmeras em visão 360 graus e acabamento mais refinado. Apesar disso, ainda existem algumas ausências difíceis de ignorar em um carro dessa faixa de preço, como sensor dianteiro de estacionamento, retrovisor fotocrômico e rebatimento elétrico dos espelhos.
Na traseira, o modelo mantém o mesmo estilo arredondado da dianteira e aposta em iluminação totalmente em LED. O porta-malas de 375 litros surpreende bastante para a categoria e entrega espaço semelhante ao encontrado em utilitários esportivos compactos maiores, como o Volkswagen T-Cross, algo raro entre elétricos urbanos.
Outro detalhe curioso é a ausência do limpador traseiro, item que faz falta principalmente em dias chuvosos. Em compensação, o EX2 tenta compensar com soluções modernas e diferentes, como os sons personalizados ao travar o carro e o visual externo cheio de pequenos detalhes estilizados espalhados pela carroceria.
Um dos maiores diferenciais do modelo está na parte dianteira. O EX2 possui um compartimento extra de 70 litros sob o capô, conhecido popularmente como “porta-malas frontal”. O espaço pode acomodar cabos de carregamento, mochilas e pequenos objetos, ampliando ainda mais a praticidade no uso diário.
A estrutura mecânica também chama atenção. O motor elétrico fica instalado na traseira e a tração também é traseira, algo incomum entre compactos dessa faixa de preço. A configuração melhora a distribuição de peso e deixa o carro mais equilibrado e confortável na condução urbana.
O conjunto elétrico entrega 116 cavalos de potência e torque instantâneo, característica típica desse tipo de motorização. O desempenho agrada principalmente na cidade, onde o EX2 responde rapidamente nas arrancadas e retomadas. O modelo acelera de 0 a 100 km/h em 10,2 segundos e tem velocidade limitada a 140 km/h.
A bateria possui 39,4 kWh de capacidade e autonomia oficial de 289 quilômetros pelo Inmetro. Na prática, porém, o alcance costuma superar os 300 quilômetros facilmente, podendo chegar entre 320 e 350 quilômetros dependendo do estilo de condução e do trânsito enfrentado no dia a dia.
O carregamento rápido também se destaca. Em carregadores de corrente contínua, o EX2 consegue recuperar a carga de 30% a 80% em cerca de 21 minutos. O sistema ainda permite limitar a amperagem durante o carregamento residencial, ajudando o proprietário a evitar sobrecarga na rede elétrica doméstica.

Por dentro, o modelo surpreende pelo espaço interno. O entre-eixos de 2,65 metros garante bastante área para as pernas dos passageiros traseiros, enquanto o assoalho totalmente plano melhora o conforto de quem viaja no banco central. Até mesmo adultos conseguem viajar atrás sem sensação de aperto.
O acabamento mistura plástico rígido com superfícies revestidas em material macio nas áreas de contato. Os bancos em tonalidade cinza clara fogem do padrão preto tradicional e ajudam a deixar a cabine mais sofisticada. O visual interno também tenta fugir do minimalismo excessivo adotado por muitos concorrentes chineses.
A cabine traz saída de ar-condicionado traseira, iluminação em LED, carregador de celular por indução, bancos com ajuste elétrico e central multimídia com Android Auto e Apple CarPlay. A atualização do sistema finalmente corrigiu uma das maiores críticas feitas pelos consumidores nas primeiras unidades do modelo.
A multimídia concentra praticamente todas as funções do carro. Por ela, o motorista ajusta modos de condução, regeneração de energia, iluminação interna, carregamento e diversas configurações do veículo. O painel digital possui boa leitura, embora ofereça pouca possibilidade de personalização das informações exibidas.
Na prática, o EX2 entrega uma experiência bastante confortável. O volante compacto facilita as manobras urbanas, a suspensão lida bem com imperfeições e o silêncio típico dos elétricos aumenta a sensação de refinamento. As câmeras em 360 graus também ajudam bastante em estacionamentos apertados.
Boa parte do sucesso do modelo está diretamente ligada ao preço. A versão Max gira em torno de R$ 137 mil, enquanto a configuração Pro parte de R$ 123.800. Isso faz o EX2 disputar clientes não apenas com elétricos como BYD Dolphin e GWM Ora, mas também com hatchs compactos tradicionais a combustão.
Quando comparado aos rivais elétricos, o Geely consegue oferecer mais espaço interno, bom nível de equipamentos e custo-benefício competitivo. Já diante dos compactos a gasolina ou etanol, chama atenção pelo custo operacional muito menor, já que o gasto energético pode ficar próximo de R$ 40 para rodar cerca de 300 quilômetros.
As dúvidas sobre desvalorização e troca de bateria ainda existem, mas o cenário começa a mudar no Brasil. Os custos dos componentes elétricos vêm caindo gradualmente e o mercado já mostra sinais de amadurecimento. O EX2 surge justamente nesse momento de transformação, ocupando um espaço que muitos consumidores esperavam havia anos.
