Resumo da Notícia
O segmento de carros elétricos compactos vive um momento de transformação no Brasil, e o Geely EX2 Max aparece como um dos modelos que mais chamam atenção nessa nova fase. Com proposta urbana, visual moderno e preço competitivo, o hatch chinês tenta conquistar espaço em um segmento cada vez mais disputado por nomes como BYD Dolphin Mini e Chevrolet Spark.
Depois de alguns dias de uso em cidade e estrada, o modelo mostrou que vai além da aparência diferente. O EX2 Max entrega um conjunto equilibrado, mistura conforto com bom desempenho e ainda traz soluções que normalmente aparecem em carros maiores e mais caros. Mesmo assim, ele também revela limitações importantes.
O design é um dos pontos que mais dividem opiniões. A traseira agrada pelo visual limpo e proporcional, enquanto a dianteira aposta em um estilo extremamente minimalista. Falta uma identidade mais marcante na frente do carro, principalmente para um modelo que tenta chamar atenção em um segmento tão competitivo.

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A combinação de teto preto com a carroceria em tom pistache cria um visual jovem e moderno. O EX2 consegue parecer simpático nas ruas e transmite uma sensação de carro urbano inteligente. Há ainda pequenos detalhes curiosos, como a saudação sonora ao travar o veículo, algo típico dos modelos chineses mais recentes.
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Debaixo do capô, ou melhor, sob o assoalho, o compacto traz um motor elétrico traseiro de 116 cavalos e 15,3 kgfm de torque. O dado mais interessante não é exatamente a potência, mas sim a configuração de tração traseira, algo raro entre compactos elétricos vendidos no Brasil atualmente.
Mesmo tendo menos torque que alguns rivais, o baixo peso de aproximadamente 1.300 kg ajuda bastante no desempenho. Essa relação peso-potência favorece arrancadas rápidas e retomadas eficientes, especialmente no uso urbano. O resultado é um comportamento ágil e divertido ao volante.
Na prática, o EX2 Max acelera de 0 a 100 km/h em cerca de 10,2 segundos. Não é um esportivo, mas responde rápido ao acelerador graças ao torque instantâneo típico dos elétricos. Em ultrapassagens e retomadas na estrada, o modelo surpreende positivamente mesmo carregado com passageiros.
A velocidade máxima limitada a 140 km/h foi uma escolha pensada para preservar bateria e autonomia. E justamente a autonomia é um dos temas mais discutidos no carro. A bateria de 39,4 kWh garante alcance oficial de 289 quilômetros pelo padrão do Inmetro.
Apesar do número parecer modesto, o uso real mostrou resultados um pouco melhores. Em trajetos urbanos e mistos, o EX2 conseguiu registrar médias próximas de 300 a 320 quilômetros com uma carga completa, dependendo diretamente do modo de condução e da forma de acelerar.
O modelo oferece três modos de condução: Eco, Normal e Esportivo. Também há três níveis de regeneração de energia, incluindo um modo forte que reduz bastante a velocidade ao tirar o pé do acelerador. Isso ajuda a economizar energia e ainda diminui o desgaste dos freios.
Falando em freios, o compacto utiliza discos nas quatro rodas e transmite boa sensação de segurança. Na estrada, o comportamento também agrada. Mesmo rodando a velocidades de rodovia, o carro mantém estabilidade, acelerações consistentes e retomadas rápidas para ultrapassagens seguras.
Mas o maior destaque dinâmico do EX2 talvez esteja na suspensão. O conjunto traseiro multilink, raro nessa categoria, entrega um nível de conforto acima da média. O carro absorve buracos, remendos e paralelepípedos com competência impressionante para um compacto elétrico.
Além de confortável, o modelo é silencioso. A calibração da suspensão trabalha junto com os pneus de perfil mais alto para reduzir impactos e ruídos internos. O resultado é uma sensação de robustez incomum em carros compactos voltados ao uso urbano.
Mesmo sem ter o maior entre-eixos da categoria, o aproveitamento interno surpreende. O espaço traseiro acomoda adultos com conforto e a cabine consegue transmitir sensação de amplitude. O trabalho de posicionamento dos bancos ajudou bastante nesse aproveitamento interno.
Outro ponto forte é a capacidade do porta-malas. O compartimento traseiro leva 375 litros e ainda existe um porta-objetos frontal de 70 litros. Somando tudo, o EX2 oferece 445 litros totais, superando até alguns utilitários esportivos compactos vendidos no país.
O acabamento interno mistura qualidades e exageros. Há bastante plástico rígido, mas o console central e os apoios de braço usam materiais macios que imitam couro. O problema fica para os detalhes visuais excessivos, como iluminação colorida e desenhos decorativos espalhados pela cabine.

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A central multimídia agrada pelo tamanho e pela facilidade de acesso aos comandos. Em compensação, o quadro de instrumentos decepciona pelo tamanho reduzido e pelas informações pequenas demais. Em algumas situações, a leitura acaba ficando pouco prática durante a condução.
Existem ainda detalhes difíceis de entender em um carro dessa faixa de preço. O volante não possui ajuste de profundidade, o cinto não tem regulagem de altura e o limpador traseiro simplesmente não existe. Em dias de chuva, a visibilidade traseira fica bastante comprometida.
Na parte de segurança, o pacote eletrônico entrega controle de cruzeiro adaptativo, frenagem automática de emergência e câmera 540 graus com ótima resolução. Porém, faltam recursos mais completos, como assistente ativo de permanência em faixa e monitor de ponto cego.
O consumo energético ficou próximo de 0,117 kWh por quilômetro, mantendo custo de rodagem muito baixo. A recarga rápida também agrada: em corrente contínua, a bateria vai de 30% a 80% em apenas 21 minutos. Já em tomada comum de 220V, uma carga completa pode levar cerca de nove horas.
Custando aproximadamente R$ 136 mil na versão topo de linha, o Geely EX2 Max aposta em uma relação custo-benefício bastante competitiva. Ele não é perfeito e apresenta falhas importantes de acabamento e ergonomia, mas entrega conforto, espaço, desempenho urbano e tecnologia suficientes para se tornar uma das opções mais interessantes entre os elétricos compactos atuais.
