Resumo da Notícia
A Honda decidiu reforçar sua liderança no mercado brasileiro de motocicletas com um plano bilionário de investimentos. A marca japonesa anunciou que destinará R$ 1,6 bilhão à fábrica de Manaus (AM) até 2029, em um ciclo que envolve ampliação da capacidade produtiva, modernização de processos e lançamento de novos modelos — incluindo futuras opções híbridas e elétricas. A iniciativa coincide com os preparativos para os 50 anos da unidade, a serem completados em 2026.
Hoje, a planta do Polo Industrial de Manaus responde por cerca de 70% das vendas de motos no país e já produziu mais de 31 milhões de unidades desde 1976. Só em 2025, a Honda fechou o primeiro semestre com participação de 67,4% do mercado, resultado impulsionado por modelos como CG 160, Biz e Pop 110i, que juntos lideram entre todos os veículos motorizados vendidos no Brasil.

A capacidade atual da fábrica gira em torno de 1,5 milhão de unidades por ano, operando com mais de 90% de uso, distribuídos em três turnos e recorrendo a horas extras. Mesmo assim, ainda há filas de espera para alguns modelos. Com o novo aporte, a meta é alcançar 1,6 milhão de motocicletas anuais já em 2026, além da criação de 350 novos empregos, que elevarão o quadro para 9 mil funcionários.
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Segundo Lourival Barros, diretor de produção em Manaus, o plano prevê a instalação de novas linhas de montagem, alterações no layout e aquisição de equipamentos de ponta. A unidade já é considerada a mais verticalizada da Honda no mundo, fabricando internamente peças como chassis, motores, rodas e assentos. Além de abastecer a maior rede de concessionárias do Brasil, com 1.100 pontos de venda, parte da produção segue para exportação a 17 países.

O crescimento da demanda é puxado, em grande parte, pelo segmento de baixa cilindrada, que atende especialmente o mercado de entregas. A CG 160, por exemplo, custa a partir de R$ 16.770 e somou mais de 354 mil unidades emplacadas entre janeiro e setembro, segundo a Fenabrave.
Mesmo diante de um cenário de crédito caro e juros altos, a Honda acredita que o setor seguirá aquecido. “A motocicleta é um veículo de inclusão, tanto pelo custo de aquisição quanto pela manutenção reduzida”, afirma Marcos Bento, presidente da Abraciclo e executivo da Moto Honda.
A empresa, porém, mantém cautela quanto à eletrificação: admite a possibilidade de lançar modelos híbridos ou elétricos produzidos em Manaus, mas só “no momento oportuno”, caso o mercado sinalize demanda.

Como parte do ciclo de expansão, a Honda também anunciou o lançamento de sete novos modelos até 2026, incluindo a CB750 Hornet, XL750 Transalp, CB1000 Hornet e uma edição comemorativa da Gold Wing Tour 50 anos.
O investimento, portanto, não apenas garante mais capacidade de produção, mas também sustenta a estratégia de renovação e diversificação da linha, consolidando a fábrica de Manaus como peça-chave no futuro da marca no Brasil.
