Bandeira vermelha afeta quem tem carro elétrico: saiba quanto vai custar recarregar

No cenário atual brasileiro, no entanto, o impacto mensal ainda é relativamente modesto no comparativo absoluto — mas serve como um alerta importante para quem está planejando migrar de combustão para elétrico.
Recarga rápida de carros elétricos revela impacto ambiental inesperado
© José Cruz/Agência Brasil
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O consumidor brasileiro que optou pela eletrificação veicular vai perceber um impacto adicional na conta de energia já neste mês de junho. Desde o dia 1º, a bandeira tarifária vermelha patamar 1 passou a vigorar nas faturas de energia elétrica, elevando o custo da recarga doméstica de veículos elétricos e híbridos plug-in.

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Embora o custo por quilômetro rodado ainda siga vantajoso frente aos combustíveis fósseis, a elevação das tarifas elétricas pressiona o cálculo econômico de quem recarrega o veículo em casa — principalmente em residências que não contam com sistema próprio de geração (como painéis solares).

Segundo a decisão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a cada 100 kWh consumidos terão um acréscimo de R$ 4,46 neste mês, como consequência direta do acionamento da bandeira vermelha.

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A conta prática para o dono de elétrico

Tomando como exemplo o modelo hoje mais vendido entre os elétricos no país — o BYD Dolphin Mini, equipado com bateria de 38 kWh — é possível visualizar o efeito concreto da nova tarifa sobre o custo de uso.

Cada recarga completa consome em torno de 38 kWh. Com a bandeira vermelha patamar 1, o impacto da tarifa extra ocorre a cada três recargas completas, totalizando cerca de 114 kWh de consumo. Ou seja, em termos diretos, o proprietário pagará aproximadamente R$ 4,46 a mais a cada três ciclos completos de recarga, apenas pelo adicional da bandeira, sem considerar o valor base do kWh, que varia conforme a distribuidora e o horário de uso.

Vale destacar que este acréscimo da bandeira incide sobre o consumo total da residência, o que significa que famílias que já têm um consumo elevado acabam somando o uso veicular a um patamar de consumo mais sensível.

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Horário de recarga importa cada vez mais

Outro ponto que exige atenção dos proprietários de elétricos é o horário da recarga. As concessionárias aplicam faixas diferenciadas de tarifação — e, via de regra, o período das 18h às 21h, conhecido como horário de ponta, tem os custos mais elevados devido à maior demanda na rede.

A depender do estado e do contrato de fornecimento, a diferença entre o kWh fora de ponta e no horário de ponta pode superar 100% no custo final. Por isso, a programação das recargas para horários de menor demanda (madrugada, por exemplo) torna-se uma prática cada vez mais relevante na gestão de custos para o usuário.

Como funcionam as bandeiras tarifárias

Implementado pela Aneel em 2015, o sistema de bandeiras tarifárias tem o objetivo de sinalizar ao consumidor as condições de custo de geração de energia no país. A depender do nível dos reservatórios hidrelétricos, uso de térmicas e outros fatores operacionais, a cor da bandeira é ajustada mensalmente:

  • Bandeira verde: geração favorável; sem acréscimos tarifários.
  • Bandeira amarela: geração pressionada; acréscimo de R$ 0,01885 por kWh.
  • Bandeira vermelha patamar 1: geração onerosa; acréscimo de R$ 0,04463 por kWh.
  • Bandeira vermelha patamar 2: geração muito onerosa; acréscimo de R$ 0,07877 por kWh.

O ajuste atual para bandeira vermelha patamar 1 decorre, sobretudo, da redução dos volumes de chuvas e da elevação do custo de operação do sistema interligado nacional.

A equação do custo de mobilidade elétrica

Mesmo com a aplicação da bandeira vermelha, é importante destacar que o custo médio por quilômetro rodado com veículos elétricos segue inferior ao de modelos a combustão — porém, o diferencial econômico diminui em momentos de alta da tarifa elétrica.

Em mercados maduros, a mobilidade elétrica tende a ganhar robustez justamente quando o consumidor passa a investir também em sistemas de microgeração (como painéis fotovoltaicos residenciais), reduzindo sua dependência da tarifa pública e tornando o custo da recarga mais estável no longo prazo.

No cenário atual brasileiro, no entanto, o impacto mensal ainda é relativamente modesto no comparativo absoluto — mas serve como um alerta importante para quem está planejando migrar de combustão para elétrico: a análise do custo de propriedade precisa sempre considerar também as variáveis energéticas, que vão além da simples comparação de preço na bomba de combustível.

O recado de junho

O acionamento da bandeira vermelha em junho de 2025 traz à mesa uma reflexão inevitável: a mobilidade elétrica está diretamente conectada ao sistema energético do país.

O consumidor atento — especialmente o comprador de modelos como Dolphin Mini, Song Plus, King, Yuan e outros já em franca expansão no Brasil — precisa desenvolver o hábito de acompanhar, além dos preços de aquisição, o comportamento da tarifa elétrica mês a mês, que hoje interfere diretamente no custo de rodagem dos modelos plug-in.

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