Resumo da Notícia
A chegada da GWM Power ao Brasil marcou uma mudança importante no comportamento das marcas chinesas no mercado nacional. Em vez de apostar primeiro em eletrificação, a fabricante decidiu entrar no segmento mais conservador do país com uma picape média a diesel, de construção tradicional, voltada para quem valoriza robustez, capacidade de carga e custo-benefício. O resultado foi imediato: a Power rapidamente ganhou espaço justamente em um dos segmentos mais disputados do mercado brasileiro.
Lançada no fim de 2025, a Power desembarcou no país como o primeiro modelo da GWM sem qualquer tipo de eletrificação. Mais do que isso, ela estreou com preços agressivos e passou a ocupar uma posição estratégica entre as picapes médias movidas a diesel. Em março de 2026, já aparecia como a picape média diesel mais barata do Brasil, ficando atrás apenas da Fiat Toro nas versões de entrada entre todos os utilitários a diesel vendidos no país.

A estratégia da GWM contrariou a lógica adotada por outras fabricantes chinesas. Enquanto concorrentes apostaram em soluções híbridas e eletrificadas para entrar nesse mercado, a marca preferiu começar pelo caminho mais tradicional possível: motor turbodiesel, chassi sobre longarinas, tração 4×4 mecânica e foco em resistência. Foi justamente esse posicionamento mais conservador que ajudou a Power a encontrar rapidamente espaço entre consumidores acostumados com Hilux, Ranger, S10 e Frontier.
O movimento também serviu como resposta indireta ao desempenho tímido da BYD Shark no Brasil. A picape híbrida da concorrente chegou cercada de expectativa, mas não conseguiu repetir nas vendas o impacto gerado pela Power. Em menos de quatro meses nas concessionárias, a GWM já havia superado o volume comercializado pela rival durante todo o ano anterior, mostrando que o consumidor brasileiro ainda enxerga o diesel tradicional como principal referência no segmento.
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A versão Trail, configuração de entrada da linha, é a principal responsável pelo sucesso comercial da picape. Custando R$ 220 mil, ela conseguiu quebrar paradigmas ao oferecer um pacote muito completo por um valor abaixo da maior parte das concorrentes diretas. Para efeito de comparação, fica mais barata do que versões equivalentes de Rampage, Titano e outras médias nacionais, criando uma combinação difícil de ignorar para quem procura uma picape robusta sem gastar acima da média do segmento.
Mesmo sendo a opção mais acessível da gama, a Power Trail está longe de parecer uma configuração simplificada. Visualmente, quase não há diferenças para a versão topo de linha. A principal mudança aparece apenas no acabamento da grade dianteira, que troca o cromado por um tom cinza brilhante mais discreto. O restante da carroceria praticamente se mantém intacto, preservando o aspecto sofisticado que a picape transmite desde o primeiro contato.
Os faróis Full LED continuam presentes, assim como os sensores dianteiros e o conjunto de câmeras em visão 360 graus. A iluminação automática também foi mantida, incluindo o acionamento adaptativo dos faróis em curvas. Apesar do uso de faróis auxiliares halógenos não agradar tanto visualmente, o sistema segue funcional e reforça o pacote tecnológico da picape, algo raro para um modelo de entrada dentro dessa faixa de preço.
Dimensões

Em dimensões, a Power chama atenção pelo porte avantajado. São 5,42 metros de comprimento, medida superior à maior parte das rivais médias vendidas no Brasil. O entre-eixos de 3,23 metros também ajuda a ampliar o espaço interno e melhora a sensação de conforto para passageiros traseiros. A altura livre do solo de 22,7 centímetros e a capacidade de imersão de meio metro reforçam ainda mais a proposta voltada ao fora de estrada.
Os ângulos de ataque, saída e transposição mostram que a Power realmente foi desenvolvida para enfrentar terrenos difíceis. A picape trabalha com 27 graus na dianteira, 25 graus na traseira e mais de 21 graus no ângulo central. A versão Trail ainda pode receber pneus de perfil mais voltado ao uso fora de estrada, vendidos como acessório, além de itens adicionais como santo antônio, capota marítima e acabamento esportivo para a traseira.
A caçamba é outro destaque importante do modelo. Com capacidade volumétrica de 1.248 litros, a Power entrega um espaço superior ao encontrado na maioria das rivais, que normalmente trabalham próximas dos mil litros. A capacidade de carga também fica na faixa de uma tonelada, mantendo equilíbrio competitivo para uso profissional, rural ou recreativo sem comprometer o conforto no dia a dia.
Interior da GWM Poer P30 Trail

Por dentro, a cabine surpreende pelo acabamento mais refinado do que normalmente se espera de uma picape média. A proposta da GWM foge do excesso visual encontrado em alguns modelos chineses e aposta em linhas mais limpas, materiais agradáveis ao toque e boa montagem das peças. O interior consegue transmitir robustez sem abrir mão de um ambiente moderno e bem resolvido visualmente.
O espaço traseiro também agrada. Mesmo com o banco dianteiro ajustado para um ocupante alto, sobra área suficiente para passageiros viajarem com conforto. O assoalho relativamente plano facilita a acomodação de um terceiro ocupante no centro, enquanto as saídas de ar-condicionado, portas USB e revestimentos sintéticos ajudam a elevar a percepção de qualidade da cabine.
Na dianteira, a Power mistura praticidade com soluções modernas. O console central oferece carregador de celular por indução, comandos físicos para o ar-condicionado e diversos porta-objetos. A alavanca eletrônica do câmbio reforça o aspecto tecnológico, enquanto o volante traz acabamento refinado e um desenho diferente, incorporando o próprio símbolo da linha Power de maneira discreta e criativa.
A central multimídia utiliza uma tela ampla com conexão sem fio para Android Auto e Apple CarPlay. Apesar da boa resolução e da facilidade de uso, o sistema acaba decepcionando pela limitação de personalizações. Alguns comandos poderiam oferecer maior liberdade ao motorista, principalmente em funções relacionadas aos assistentes de condução e configurações de iluminação externa.
O pacote de segurança da versão Trail continua amplo, mantendo piloto automático adaptativo, frenagem automática de emergência, assistente de permanência em faixa e monitoramento da pressão dos pneus. Ainda assim, alguns itens importantes ficaram restritos à configuração topo de linha, como alerta de ponto cego, tráfego cruzado traseiro e airbags de cortina, ausências que acabam sendo percebidas em um veículo desse porte.
Os bancos também revelam parte dessas diferenças entre versões. Na Trail, o revestimento é sintético e apenas o banco do motorista possui ajustes elétricos. Já a configuração mais cara acrescenta aquecimento, ventilação e regulagens completas para o passageiro dianteiro. Mesmo assim, a ergonomia continua sendo um dos pontos fortes da picape, oferecendo posição de dirigir confortável e fácil adaptação.
Motorização
Debaixo do capô, a Power utiliza um motor 2.4 turbodiesel de 184 cavalos e quase 49 kgfm de torque, sempre associado ao câmbio automático de nove marchas e tração 4×4 com reduzida. Embora os números não impressionem no papel, a entrega prática surpreende positivamente. A aceleração é consistente, as retomadas são seguras e o comportamento geral transmite sensação de força suficiente para qualquer situação cotidiana.
Nos testes, a picape acelerou de zero a 100 km/h em 11,8 segundos, desempenho muito próximo do registrado pelas principais rivais médias do mercado. O câmbio pode demonstrar certa hesitação em reduções mais bruscas, mas a resposta geral continua satisfatória. O ronco característico do motor diesel e a sensação de robustez reforçam a proposta tradicional da Power, algo que claramente conversa com o público desse segmento.
Apesar das dimensões generosas, a dirigibilidade chama atenção pela facilidade de condução. A direção bem calibrada, a suspensão firme e o conjunto eletrônico eficiente fazem a picape parecer menor ao volante. O sistema de câmeras em 360 graus merece destaque especial pela rapidez nas respostas e pela capacidade de mostrar automaticamente os pontos mais importantes durante manobras e mudanças de direção.
No fim das contas, a GWM conseguiu criar uma picape extremamente competitiva ao unir preço agressivo, mecânica tradicional e uma lista ampla de equipamentos. A Power entrega mais espaço, mais capacidade de caçamba e um pacote tecnológico acima da média sem abandonar aquilo que o consumidor brasileiro espera de uma picape média diesel.
Com produção nacional, pós-venda já consolidado e uma marca cada vez mais presente nas ruas, a Power se transforma rapidamente em uma das estreias mais relevantes do segmento nos últimos anos.
