Resumo da Notícia
A nova geração de motores da Fórmula 1 começou a provocar mudanças antes mesmo de completar uma temporada inteira. Depois das discussões levantadas nas primeiras corridas do ano, a categoria decidiu rever parte do regulamento para tornar os carros mais rápidos, seguros e naturais de pilotar. A FIA, equipes e fabricantes já trabalham em alterações que devem entrar em vigor a partir de 2027.
As conversas ganharam força após o Grande Prêmio de Miami, realizado no último fim de semana. A prova foi considerada um ponto de virada porque entregou mais disputas, ultrapassagens e ritmo de corrida, algo que vinha sendo criticado nas etapas anteriores. O entendimento geral foi de que os ajustes aplicados funcionaram melhor do que o esperado.
Em reunião virtual realizada pela FIA com chefes de equipe, representantes das fabricantes de motores e dirigentes da Fórmula 1, ficou definido que o caminho adotado em Miami representou “um passo na direção certa”. Segundo o órgão regulador, não foram encontrados problemas graves de segurança após a análise completa da corrida.
A principal mudança discutida envolve a divisão de potência dos motores híbridos. Atualmente, os carros utilizam praticamente metade da força vinda do motor a combustão e metade da parte elétrica. A proposta agora é reduzir a influência elétrica e devolver mais protagonismo ao motor tradicional.
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Com isso, os motores a combustão ganharão aproximadamente 50 kW extras de potência, algo próximo de 67 cavalos adicionais. Ao mesmo tempo, o sistema de recuperação de energia, conhecido como ERS, terá sua participação reduzida para equilibrar o conjunto e evitar os problemas vistos nas primeiras corridas do campeonato.
Na prática, a Fórmula 1 quer abandonar a atual proporção próxima de 50% elétrico e 50% combustão para chegar mais perto de uma divisão 60% combustão e 40% eletricidade. A intenção é permitir corridas mais agressivas, com menos necessidade de gerenciamento de bateria durante as voltas.
Pilotos vinham reclamando justamente desse excesso de controle energético. Em vários momentos das corridas, alguns precisavam aliviar o acelerador em curvas de alta velocidade para recarregar as baterias, algo considerado estranho para um carro de Fórmula 1. Além disso, as diferenças de velocidade entre os carros passaram a preocupar por questões de segurança.
As críticas aumentaram porque muitos pilotos afirmaram que precisaram “desaprender” a forma tradicional de pilotar. Em vez de acelerar ao máximo sempre que possível, os novos carros exigiam estratégias de economia energética que deixavam as corridas artificiais e, em certas situações, até perigosas.
Miami serviu como laboratório para uma redução parcial dessa dependência elétrica. O resultado agradou tanto que FIA, equipes e fabricantes concordaram em avançar ainda mais nessa direção nos próximos anos. O objetivo é tornar os carros mais intuitivos para os pilotos e mais emocionantes para o público.
Além das mudanças de potência, a FIA também confirmou estudos para melhorar a segurança nas largadas e em corridas disputadas sob chuva. A entidade avalia novos sistemas de sinalização visual e ajustes técnicos adicionais, que podem começar a aparecer já no Grande Prêmio do Canadá, marcado para 24 de maio, em Montreal.
Os grupos técnicos da categoria continuarão debatendo o pacote final antes da votação definitiva no Conselho Mundial de Automobilismo. Apesar de existir consenso sobre a necessidade de mudanças, ainda há discussões internas sobre o equilíbrio ideal entre desempenho, sustentabilidade e espetáculo.
Enquanto isso, o presidente da FIA, Mohammed Ben Sulayem, já abriu espaço para um debate ainda mais radical no futuro. Nos bastidores, ele voltou a mencionar a possibilidade de abandonar os sistemas híbridos e até reconsiderar o retorno dos tradicionais motores V8, depois de anteriormente defender a volta dos históricos V10 à Fórmula 1.
